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Sindicalistas e OAB dizem que PM usou violência em comício na Cinelândia

Sindicalistas, lideranças sociais e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acusam a Polícia Militar de ter inviabilizado o comício de encerramento dos protestos contra as reformas trabalhista e da Previdência, nesta sexta-feira (28), na Cinelândia. Segundo eles, quando milhares de pessoas aguardavam o início dos discursos, que seriam realizados em um palanque montado em frente à Câmara Municipal, PMs começaram a jogar bombas de efeito moral e de gás lacrimogênio, o que causou um corre-corre e esvaziou a praça.

De acordo com os organizadores, após cerca de 30 minutos, os manifestantes voltaram, mas a PM voltou a reprimi-los, jogando mais bombas sobre o local e terminando de vez com o comício.

 

“Eles chegaram com a truculência de sempre, sem identificar quem estava [ali] para fazer baderna e quem estava para protestar. Eles simplesmente botam todos no mesmo saco e atacam a gente. O principal ato de hoje eles conseguiram desmobilizar”, protestou o representante do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas em Saneamento Básico do Rio de Janeiro, Mario Porto.

 

Os sindicalistas disseram que a PM jogou bombas no palco, enquanto pessoas discursavam. “A polícia nunca quis que a gente realizasse este ato. Jogaram bombas no palco, enquanto as pessoas estavam falando. Essa não é atitude de polícia”, disse o presidente da Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil (CTB), Ronaldo Leite. Para Leite, o objetivo real era encerrar o ato.

 

Manifestação

 

A concentração para o comício começou por volta das 13h, em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), quando houve o primeiro confronto entre manifestantes e PMs. Em seguida, o grupo foi para a Cinelândia para participar do ato principal.

 

A ativista social Indianara Siqueira disse que, na Alerj, os policiais já tinham começado a jogar bombas. “Nós nos reagrupamos e fomos para a praça [Cinelândia]. Aí houve a fala dos parlamentares e dos movimentos sociais e eles jogaram bombas novamente e as pessoas se dispersaram.” De acordo com Indianara, quando os manifestantes retornaram, os policiais voltaram a jogar bombas de gás e usar spray de pimenta.

 

OAB

 

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Seção do Rio de Janeiro, divulgou nota protestando contra a violência da PM nos protestos de rua que fizeram parte do dia de greve geral. “Nada justifica a investida, com bombas e cassetetes, contra uma multidão que protestava de modo pacífico. Se houve excessos por parte de alguns ativistas, a polícia deveria tratar de contê-los na forma da lei”, diz a nota da OAB, assinada pelo presidente da entidade, Felipe Santa Cruz.

 

PM

 

Em nota, a PM diz que agiu para combater a ação de vândalos. “A corporação agiu em vários distúrbios, reagindo à ação de vândalos que, infiltrados entre os legítimos manifestantes, promoveram atos de violência e baderna pelo centro da cidade”.

 

A PM foi procurada por e-mail pela reportagem, mas não se posicionou sobre a acusação de que usa violência desproporcional contra a multidão que se preparava para participar do comício na Cinelândia.

 

Em nota, o presidente Michel Temer criticou os protestos realizados hoje. Segundo ele, “pequenos grupos bloquearam rodovias e avenidas para impedir o direito de ir e vir do cidadão, que acabou impossibilitado de chegar ao seu local de trabalho ou de transitar livremente”. “Fatos isolados de violência também foram registrados, como os lamentáveis e graves incidentes ocorridos no Rio de Janeiro”.

 

No Twitter, a ex-presidente Dilma disse que a greve mostra que o povo brasileiro é valente e capaz de resistir a mais um golpe.

 

Agência Brasil

 

CSN – Sindicalistas discutem com Pezão alternativas a demissões em siderúrgica

Em encontro fechado, os presidentes da Força Sindical, Miguel Torres, e do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense, Silvio Campos, discutiram nesta segunda-feira (11) com o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, alternativas para evitar a demissão de 3 mil operários da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que tem uma usina, a Presidente Vargas, localizada no município de Volta Redonda, no sul do estado.

Torres considerou proveitoso o encontro com o governador, que, segundo ele, mostrou-se preocupado com a situação dos trabalhadores ameaçados de dispensa e com o aumento do desemprego no país, de um modo geral. “Ele [Pezão] ligou de pronto para a empresa, pedindo a abertura de diálogo e o uso de ferramentas que não sejam as demissões.” Para Torres, o posicionamento do governador foi importante porque a Força Sindical também está trabalhando a questão em outras frentes, com o governo federal. Torres disse que a central fará o que for possível para evitar as demissões e que, se as dispensas forem efetivadas, terá de “fazer muito barulho”.

De acordo com Silvio Campos, Pezão disse que está tentando um canal de negociação com o diretor financeiro da CSN, Paulo Caffarelli. Campos lembrou que outras empresas instaladas na região, entre as quais as montadoras Nissan, Volkswagen e Peugeot, e o grupo Votorantim, encontraram alternativas para driblar a crise, sem demitir. “A CSN quer partir direto para a demissão sumária”, afirmou o dirigente sindical. Ele acrescentou que na última sexta-feira (8) e também ontem (11) a CSN fez demissões. “Não sabemos o número exato porque, como a companhia tem dez dias para fazer a homologação, não fala quantas pessoas demitiu”. Silvio Campos estima, entretanto, que os demitidos desde o dia 8 já passam de 300.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense destacou que a demissão de 3 mil trabalhadores equivaleria ao corte de 30% dos 10,8 mil operários da companhia. Segundo Campos, as demissões estariam vinculadas à paralisação do Alto-Forno 2 da usina, responsável por 30% da produção da CSN. “Se ela [CSN] perder o [Alto-Forno] 2, quando essa crise passar, vai fazer muita falta para ela.”

A assessoria de imprensa da CSN informou que a parada do Alto-Forno 2 não está acertada ainda, nem se o objetivo seria fechar para manutenção ou para reforma. “Depende da análise do mercado. Não há uma posição fechada sobre o desligamento do alto-forno”. Também não há data estabelecida para que isso ocorra. Para Campos, a reforma do alto-forn, que dura de seis meses a um ano, seria o mais recomendável no momento e. nesse caso, o sindicato negociaria a recontratação dos demitidos após a conclusão da obra.

Segundo Campos, a CSN “finge que está negociando”, mas deveria convocar o sindicato para uma negociação mais séria e concreta. “Ela está completamente abstrata.”

Com a conversa dos sindicalistas com Pezão, a assembleia programada para esta terça(12), na porta da CSN, em Volta Redonda, poderá ser adiada para quinta-feira (14), “para aguardar se o governador vai ter uma resposta (da companhia)”. A assembleia vai debater as medidas que poderão ser tomadas para evitar as 3 mil demissões.