Arquivo da tag: milicia

Ex candidato Miguelzinho é brutalmente assassinado em Seropédica

Município é um dos mais violentos no Estado em relação à política. Miguel Angelo Steffan de Souza, o ‘Miguelzinho Seropédica’, é o segundo morto político em Seropédica em menos de três semanas. O ex-candidato era forte opositor do atual prefeito e também denunciava crimes da milícia local.

O ex-candidato a prefeito de Seropédica, Miguel Angelo Steffan de Souza, de 51 anos, também conhecido como “Miguelzinho Seropédica”, foi assassinado a tiros na manhã deste domingo, enquanto conversava em uma padaria em Seropédica.

Ele é o segundo político morto em Seropédica em menos de três semanas. No dia 25 de outubro, Rafael de Siqueira Cardoso, também conhecido como “Rafael 39”, de 37 anos, foi assassinado a tiros, também em uma padaria. Empresário local do ramo de extração e transporte de minerais, Rafael havia sido candidato a vereador pelo PDT em 2016, ficando como primeiro suplente de sua coligação e assumindo em seguida temporariamente a Subsecretaria de Obras de Seropédica.

Miguel era um forte opositor do atual prefeito da cidade, Anabal (PDT), e usava suas redes sociais para denunciar supostos abusos e irregularidades da gestão. Sua última postagem foi neste sábado: “Governo contrata mas não paga! Dezenas de chefes de família estão sem levar o sustento para casa, pois o digníssimo gestor dessa zona chamada Prefeitura, não pagou aos humildes funcionários!”, escreveu ele. O ex-candidato também denunciava crimes da milícia que atua em Seropédica, embora evitasse usar a palavra.

Na ocasião da morte de “Rafael 39”, Miguel fez um post em suas redes sociais: “Deram fim de arquivo”. No post, ele explicou que o atual governo teria feito um acordo com Rafael para que “algum candidato eleito a vereador da base do governo” fosse “nomeado a secretário, abrindo assim uma vaga e fazendo com que Rafael deixasse de ser suplente para assumir o mandato”. No entanto, com o não cumprimento do acordo, Rafael acabou nomeado temporariamente como subsecretário de Obras de Seropédica e “subordinado a Pierre Alexandre (laranja do Waguinho e do Felipe)”, o que o teria deixado frustrado e o motivado a deixar o cargo. De acordo com o ex-candidato a prefeito, o assassinato então teria ocorrido porque “Rafael era o arquivo vivo de inúmeras coisas erradas dentro do governo”.

Miguelzinho foi candidato à prefeitura da cidade em 2016 pelo Partido da Mulher Brasileira (PMB), terminando em terceiro lugar, com 7.65% dos votos. O vencedor foi Anabal, do PDT.

No mesmo ano da última eleição para a prefeitura da cidade, o então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, demonstrou preocupação com assassinatos envolvendo políticos e pré-candidatos às eleições da Baixada Fluminense, conforme mostrou reportagem do O DIA. Na ocasião, o ministro falou que é “preocupante a reiteração de crimes dessa natureza, razão pela qual esses homicídios devem ser investigados”.
A declaração do ministro aconteceu no contexto de 14 assassinatos políticos em 9 meses, dentre eles 12 por motivação política, segundo a Polícia Civil. A primeira daquela série de assassinatos foi a do vereador Luciano DJ, também em Seropédica. Ele seria vice na chapa de Miguel nas eleições do ano seguinte.
A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) investiga o caso. Os agentes buscam imagens de câmeras de segurança da região que possam ajudar na identificação dos criminosos.

Ainda não há informações sobre a data e local de enterro de Miguel.

Matéria do jornal O Dia

Anúncios

Franquia do crime: Posto de saúde em Itaguaí foi usado como ‘farmácia’ de milicianos

Retirada de remédios para a milícia foi registrada em livro de controle de unidade. Em denúncia, promotor diz que grupo criminoso ‘inferniza’ o município há mais de três anos.

O Globo

Um posto de saúde de Itaguaí, na Baixada Fluminense, foi usado como “farmácia” de integrantes de uma milícia, que tinham direito a atendimento preferencial na retirada de remédios. O município, a 69 km da capital, é um dos principais territórios para onde esses grupos criminosos têm avançado, coagindo a população local a pagar por serviços irregulares.

 

As circunstâncias desse esquema são apresentadas pelo G1 nesta segunda reportagem da série Franquia do Crime, que detalha a expansão de grupos de milicianos na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Os sucessivos desvios no posto médico no bairro Chaperó eram até registrados no livro de ocorrências da unidade, no qual anotações indicam as entregas de medicamentos sem receita feitas a milicianos ou seus parentes. Por causa das irregularidades, no ano passado três pessoas foram denunciadas à Justiça — entre elas, a coordenadora da Unidade Básica de Saúde (UBS), Cintia Pereira Machado.

 

“Essa ocorrência do posto de saúde de Chaperó está inserida num contexto de mais de um ano de ação de milicianos em vários bairros de Itaguaí. Eles têm paióis e bases lá. Apareceram pessoas com medo das ameaças que ocorreram”, diz o promotor Jorge Furquim, do Grupo de Atuação Especializada e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do RJ

 

“A autoridade policial instaurou inquérito e o que se constatou é algo inédito: influência dos milicianos em um serviço municipal de saúde”, afirma o promotor, que está à frente da 1ª Promotoria de Justiça Criminal de Itaguaí.

 

O G1 teve acesso à denúncia na qual o promotor ressalta que a milícia que atua na região “inferniza a comarca” há mais de três anos. Segundo ele, o grupo que domina áreas do município veio de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, e se instalou em junho de 2014. O miliciano Wallace Batista de Oliveira, o “Magnum”, é apontado pelo MP como chefe da quadrilha que domina os bairros Chaperó e Ponte Preta.

(Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

Para o promotor, Itaguaí vive uma “catástrofe particular” quando se trata do domínio silencioso desses criminosos. Conhecido como cidade dos portos, o município tem pouco mais de 120 mil habitantes e 27 estabelecimentos de saúde, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Um deles é a UBS de Chaperó, onde o atendimento — que deveria ser exclusivo a pacientes — foi preferencialmente dado a milicianos durante vários meses em 2017.

Livre acesso

De acordo com o MP, a coordenadora da unidade, Cíntia Pereira Machado, é suspeita de ter determinado a funcionários da farmácia que atendessem “preferencial e extraordinariamente” membros da milícia local. Segundo a denúncia, a relação com milicianos era usada para fazer ameaças à equipe.

 

“Essa coordenadora fazia ameaças, segundo testemunhas, e causava temor da ligação dela com os milicianos da região. Os milicianos tinham livre acesso à unidade, sem precisar passar pelos exames médicos. Foi perguntado à pessoa que denunciou, e ela disse: tem anotações no livro. Há pelo menos cinco lançamentos de entregas de medicamentos”, relata o promotor Furquim.

Após as denúncias anônimas, a investigação conduzida pela polícia levou o Ministério Público a pedir a prisão preventiva de Magnum e acusar de peculato a coordenadora e uma outra funcionária. O MP também pede que a responsável pela unidade perca o cargo público. Cíntia prestou depoimento em novembro de 2017 e negou ter conhecimento sobre as irregularidades.

 

Essa funcionária que aparece no documento, moradora da comunidade, é apontada como o elo entre Cíntia e Magnum. Segundo o MP, era essa mulher quem passava recados ou articulava novas visitas do miliciano à unidade e também desviava os medicamentos.

 

Outro trecho da denúncia do MP relata que funcionários da unidade disseram que Magnum esteve no posto de saúde em novembro de 2017. Além disso, os depoimentos indicam que ele era recebido por Cíntia na sala dela. Na 50ª DP (Itaguaí), outros testemunhos citam conversas entre a diretora e a funcionária para que chamassem milicianos para “assustar” uma outra servidora.

Lista de remédios

Entre junho e outubro de 2017, dezenas de remédios foram disponibilizados a milicianos e parentes dos criminosos. De acordo com o MP, a certeza da impunidade era tamanha que os criminosos faziam questão de que a retirada dos insumos ficasse registrada no livro de controle da unidade.

“ISSO MOSTRA QUE O WALLACE, COMO REPRESENTANTE DA MILÍCIA, TINHA INGERÊNCIA NO POSTO, E TINHA CONTATO ÍNTIMO COM A DENUNCIADA CÍNTIA, A PONTO DE DEFINIREM A FORMA COMO A QUAL A MILÍCIA PODERIA TER LIVRE ACESSO A MEDICAMENTOS”, DIZFURQUIM.

 

Entre os remédios entregues aos criminosos e pessoas ligadas a eles estão dezenas de comprimidos de Cefalexina, Ibuprofeno e Sulfadiazina de prata, no dia 24 de junho de 2017; seis tubos de pomada de óxido de zinco em 14 de julho de 2017; e dezenas de comprimidos de omeprazol em 11 de setembro.

 

Outras dezenas de comprimidos de Ibuprofeno, Dipirona e Captopril foram entregues em 27 de setembro; e mais dezenas de comprimidos de Dipirona no dia 19 de outubro.

 

Cefalexina: antibiótico para infecção de garganta, ouvido, infecção urinária, na pele ou nos músculos.

Ibuprofeno: anti-inflamatório para dor, febre e inflamação

Sulfadiazina de prata: Creme para queimaduras de 2º e 3º graus

Óxido de zinco: creme para assaduras (utilizado em recém nascidos)

Omeprazol: remédio para gastrite e úlceras gástricas

Dipirona: analgésico utilizado para dores e febre

Captopril: remédio para combate à hipertensão e insuficiência cardíaca

O G1 teve acesso a um dos livros de controle da farmácia da unidade. Num deles, no dia 27 de setembro, está escrito: “Dispensados 60 comprimidos de dipirona e 60 comprimidos de Ibiprofeno para a milícia. A enfermeira solicitou uma cartela de Captopril 25 mg para a milícia”.

 

Em outra anotação, no dia 19 de outubro, 20 comprimidos de Dipirona foram dados ao pai de um miliciano. Na anotação, o funcionário ressalta que o homem foi “prontamente atendido”.

 

Diretora afastada

De acordo com o Ministério Público, o esquema parou depois de a coordenadora Cíntia ter sido interrogada na 50ª DP. No depoimento, em novembro do ano passado, ela disse que não tem conhecimento de saída de medicamentos para milicianos e negou que tenha sido ameaçada por quem quer que seja para entregar medicamentos.

 

A diretora disse que, devido à greve de servidores municipais da saúde em Itaguaí, vinha cobrando que funcionárias da farmácia da unidade trabalhassem normalmente. Ao saber por redes sociais que havia uma ocorrência aberta contra ela por ameaça, foi até a delegacia. Lá, ela também afirmou que pede para que todos remédios sejam entregues com prescrição médica, e que possui um livro de ocorrências próprio, ao qual apenas ela e outra funcionária têm acesso.

 

Os funcionários que denunciaram o esquema conseguiram realocação.

 

Em nota enviada ao G1, a Secretaria de Saúde de Itaguaí informou que afastou a coordenadora da unidade e instaurou uma sindicância para apurar os fatos.

 

Atualmente, Magnum responde a ação penal por porte ilegal de arma de fogo e receptação de veículo clonado. Segundo o MP, o criminoso ascendeu na hierarquia do grupo em Itaguaí a partir das prisões de outros chefes da quadrilha.

 

Rondas armadas

A ocupação dos milicianos não se restringe a Chaperó. Numa foto obtida pelo G1, criminosos aparecem armados, à luz do dia, em frente a outro posto de saúde, em outro bairro de Itaguaí em que exercem influência: Vila Margarida. O registro foi feito em fevereiro de 2018.

 

Na área onde foi feita a foto, os milicianos ainda não ocupam o bairro todo, mas já praticam cobrança de comerciantes em vários pontos da região. Segundo Furquim, os milicianos se sentem “muito à vontade” no município.

“ELES TÊM BASE EM CHAPERÓ E MANGUEIRA. NOS OUTROS BAIRROS, ELES PASSAM PARA FAZER COBRANÇAS, E PASSAM OSTENSIVAMENTE PARA MOSTRAR PODER. ELES VARIAM DIAS, MAS FAZEM RONDAS. AQUILO ALI É UMA RONDA. A FOTO É ALI EM VILA MARGARIDA”, DIZ O PROMOTOR.

 

O representante do MP diz que houve mudanças no policiamento, mas os bandidos ainda circulam sossegados por vários outros bairros, como Coroa Grande, Piranema e Mangueira.

 

“As pessoas, por temor, simplesmente já não fazem mais queixas”, afirma o promotor.

Milicianos, com fuzis à mostra, no bairro Vila Margarida, em Itaguaí: (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

 

Após madrugada e manhã de terror polícia prende três homens em Itaguaí

A polícia usou um blindado e apreendeu arma, colete a prova de balas e rádio transmissor

A comunidade de Vista Alegre, Estrela do Céu, conhecida como Carvão, sofreu com intensa troca de tiros na madrugada de domingo para segunda e começo da manhã de ontem. Foram pelo menos 5 horas de tiroteio. Carros na Rodovia Rio – Santos na altura de Itaguaí, voltaram na contramão após ouvirem os intensos disparos.

Muitas cápsulas puderam ser vistas no chão da comunidade e casas foram alvejadas

Na manhã e tarde de ontem, a PM realizou uma operação na localidade. Os agentes da polícia militar da 5ª CIA/Itaguaí, do 24º BPM (Queimados), tiveram o auxílio de um blindado conhecido como “Caveirão’ e prenderam três homens, além da apreensão de um rádio transmissor, uma pistola e um colete a prova de balas”.

 

 

Moradores relatam que o “Carvão” está sofrendo com conflitos entre milicianos e traficantes que visam ter o controle da comunidade.

 

 

O município de Itaguaí não conta com batalhão da polícia militar, uma promessa antiga  feita pelo governador Luís Fernando Pezão e que sequer foi posta no papel.

Itaguaí tem sofrido com a violência ao extremo. Além de diversos relatos de tiroteio, resultado de conflitos entre traficantes e com a milícia, assaltos constantes têm ocorrido por toda a cidade sem que haja alguma ação eficaz contra a criminalidade. Itaguaí já é considerada como uma das cidades mais violentas do estado.

 

Imagens da internet

Milícia impõe regras à Força Nacional no Rio

Jornal Extra
Os agentes da Força Nacional que participarão do esquema de segurança da Olimpíada — um aparato que prevê o combate a ações criminosas e até a terroristas — estão tendo de se submeter às ordens da milícia na Zona Oeste do Rio. Segundo agentes denunciaram ao EXTRA, os 3.500 PMs, policiais civis e bombeiros de vários estados do Brasil não podem circular armados pela Gardênia Azul e foram impedidos até de instalar internet nos apartamentos onde estão alojados, no condomínio Vila Carioca, do “Minha casa, minha vida”, no bairro do Anil.
Como a milícia explora o sinal a cabo na região e, de acordo com os agentes, as operadoras de internet fixa são impedidas de atuar na área pelos paramilitares, a saída é que cada policial use a própria internet móvel, pagando do próprio bolso.

O Ministério da Justiça informou, por meio de nota, que vai apurar as informações e encaminhá-las à Polícia Federal, à Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança e à Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).
O Vila Carioca, ainda não inaugurado, começou a ser ocupado pela Força Nacional em maio. Os agentes que concordaram em conversar com o EXTRA, sob a condição de anonimato, estão no Rio há cerca de 15 dias. Contam ter recebido as orientações sobre as restrições impostas pela milícia de seus coordenadores — policiais militares, policiais civis e bombeiros têm coordenações separadas — dentro do próprio conjunto habitacional, assim que os grupos chegavam ao Vila Carioca. As determinações eram passadas sempre a grupos de poucos agentes por vez.

— A gente já cansou de ver gente armada na Gardênia — contou um dos militares da Força Nacional.

Além da arma, a orientação aos agentes é que não andem com a identidade policial. Segundo dizem os agentes, a Gardênia Azul é uma “área branca”, ou seja, sem risco para os policiais, já que estão levando lucro para a comunidade ao comprar produtos. O atraso no pagamento de diárias, as escalas de trabalho as más condições de alojamento levaram agentes a fazerem, nesta terça-feira, um panelaço dentro do condomínio. Eles ameaçam deixar o Rio e voltar para seus estados de origem. Mais de 700 policiais participaram de uma reunião com o comando da Força Nacional no Rio, pedindo mudanças.

Não é só a banda larga que tem de sair do salário de cada agente. Como os apartamentos foram disponibilizados sem mobília para servir de alojamento, os policiais e bombeiros fizeram “vaquinhas” para equipar as residências . Foram gastos aproximadamente R$ 3,2 mil por apartamento para instalar lâmpadas, televisores , geladeiras e beliches .
São seis agentes por cada um dos apartamentos, distribuídos em cinco blocos do conjunto habitacional. Para comprar uma televisão de 14 polegadas, um dos militares contou ter pago R$ 600.

Já as geladeiras foram alugadas, em média a R$ 650 cada. Segundo os militares, não há água potável no conjunto habitacional.

— Estou aqui há 15 dias e já comprei mais de quatro galões. Fora isso já gastei com lâmpada até chuveiro. Pior é que minha diária ainda não saiu — disse um militar, que pediu para não ter seu nome divulgado.

A falta de estrutura virou sinônimo de lucro para os ambulantes da Gardênia. Ontem, uma Kombi e um caminhão venderam quase todo estoque de água mineral na porta do conjunto.

— Vendo 80 galões de água mineral por dia. Cada um sai por R$ 5 — disse um comerciante, que pediu para não ter seu nome divulgado

O Ministério da Justiça e Cidadania afirmou que “não existe tolerância com atividades criminosas” e que irá apurar a denúncia de que milícias estão interferindo no trabalho da Força Nacional.
O ministério informou que a estrutura de segurança das instalações olímpicas está Garantida, assim como as diárias dos profissionais da Força Nacional que atuarão nos jogos .Se houver necessidade, afirmou o ministério, já existem 4.500 policiais inativos inscritos que podem ser aproveitados na Olimpíada.

Sobre as apertadas escala de serviço, o secretário de segurança para grandes eventos, delegado Andrei Augusto, disse ao “RJTV”, da Rede Globo, que elas serão revistas.

 

 

Polícia prende PM acusado de integrar milícia na Zona Oeste

Na operação, da última sexta-feira, outro suspeito também foi preso. Agentes apreenderam ainda duas pistolas e dinheiro

 

Policiais da Delegacia de Homicídios da Capital (DH) prenderam nesta sexta-feira dois homens, sendo eles um PM, acusados de integrarem uma milícia que atua na região de Curicica, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio. De acordo com os agentes, Willian da Silva Alves, o Negão, de 35 anos, e o PM Bruno Gomes Dias, de 32 anos, estavam em veículo quando foram capturados.

Com a dupla foram apreendidos duas pistolas, sendo uma calibre .40, com numeração raspada, anotações com contabilidade da milícia e R$ 1.240 em espécie. Os dois vão ser autuados em flagrante por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.

“Com a prisão e apreensão de duas pistolas, a DH vai investigar a participação deles e dos outros integrantes da quadrilha em homicídios ocorridos em Jacarepaguá”, afirmou o delegado Fábio Cardoso, titular da especializada.

Nesta quinta-feira, agentes da DH com objetivo de apurar homicídios em Jacarepaguá prenderam um homem apontado como chefe da milícia que atua nas redondezas da Estrada da Boiúna. Erivaldo Juvino Silva, conhecido como Nem, de 41 anos, foi capturado com um fuzil calibre 5.56 com luneta e mira a laser acoplada; uma pistola calibre 45 com o kit-rajada, que aumenta o poder de fogo do armamento, e um colete balístico. A polícia investiga a participação dele em mortes na região.

 

Polícia apreendeu duas pistolas com numeração raspada, anotações com contabilidade da milícia e R$ 1.240 em espécie

Fonte: O Dia

Milícia da Zona Oeste do Rio avança para municípios da Baixada Fluminense

Jornal Extra

A maior milícia do Rio está em fase de expansão. Investigações da Polícia Civil revelam que homens ligados a Carlos Alexandre da Silva Braga, o Carlinhos Três Pontes, principal nome do grupo paramilitar da Zona Oeste ainda em liberdade, invadiram bairros dos municípios de Itaguaí e Seropédica, na Baixada Fluminense.

A invasão ocorreu entre janeiro e setembro de 2015 e deixou um rastro de mortes. A Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), que investiga todos os casos, não revelou detalhes dos crimes, mas admitiu que parte dos assassinatos nos dois municípios pode estar ligada a uma disputa de território travada por milicianos e traficantes.
Slide1

As investigações revelam que o interesse do grupo paramilitar nas duas cidades é econômico. Em Seropédica e nos bairros de Chaperó, Brisamar e Carvão, em Itaguaí, os milicianos já exploram negócios ligados a terraplanagem, venda de sinal clandestino de TV a cabo, cobrança de taxa de segurança e exploração do transporte alternativo.

Em 30 de dezembro do ano passado, a polícia teve a confirmação da atuação da milícia em Seropédica. Na ocasião, PMs do 24º BPM (Queimados) prenderam dois homens no Centro de Seropédica com parte da contabilidade do grupo. O documento tinha anotações referentes a taxas semanais que eram cobradas de alguns dos comerciantes da cidade.

Slide2

Entre os que foram alvo de extorsão, estão donos de padarias, lojas de material de construção, farmácias, salões de beleza e até vendedores de churrasquinho no palito. As taxas variavam entre R$ 20 e R$ 70. Só numa das quatro folhas apreendidas, constava o movimento mensal de R$ 4 mil com as cobranças.

Com os presos, foram encontrados ainda um carro clonado e uma pistola.

O caso foi registrado na 48ª DP (Seropédica). Uma parte do material foi anexada a um inquérito da DHBF que apura assassinatos em Seropédica e Itaguaí.

Slide3

Percentual na arrecadação

 

Segundo o delegado Giniton Lages, da DHBF, Carlinhos Três Pontes entregou a exploração dos negócios da milícia a homens que moram nos dois municípios. A polícia ainda tenta identificar todo grupo, mas já sabe que Três Pontes recebe um percentual de tudo que é arrecadado pelo pessoal “terceirizado”.

 

— Já está confirmada a atuação da milícia em Itaguaí e Seropédica. Funciona como uma espécie de filial do grupo da Zona Oeste que é chefiado pelo Carlinhos Três Pontes — explica o delegado.

 

Três Pontes é homem de confiança do ex-PM Toni Angelo de Souza Aguiar, o Toni. Atualmente detido em um presídio federal fora do Rio, Toni encarregou Três Pontes de administrar os negócios da milícia da Zona Oeste. Carlos Alexandre da Silva Braga está com a prisão decretada pela Justiça. O Disque-Denúncia (2253-1177) oferece uma recompensa de mil reais por informações que levem até a prisão do bandido.

 

Entre os assassinatos sob suspeita de autoria de milicianos, em Itaguaí, estão as mortes de sete pessoas, no bairro Brisamar. As mortes aconteceram entre os dias 11 e 12 de abril de 2015, numa batalha que durou sete horas, e teria envolvido homens ligados a milícia e traficantes.

 

Entre as vítimas, está um estudante de 18 anos, morto pelos milicianos ao ser confundido com um traficante. Segundo a polícia, ele não tinha histórico de envolvimento em crimes e frequentava igrejas evangélicas.

Slide4

Rastro de violência

Alguns mortos pelo grupo paramilitar identificados pela polícia são Leonardo Aleixo de Almeida e o irmão dele, Fabiano Aleixo de Almeida, além de Alex Souza Moura e Charles Pires Bezerra Oliveira Castro. Os quatro foram executados com tiros de fuzil e os seus corpos foram abandonados na localidade de Chaperó, um dos redutos da milícia em Itaguaí.

A polícia investiga se a maior milícia do Rio está envolvida numa disputa interna. A guerra travada por poder e dinheiro deixou de lados opostos antigos aliados. São eles : Ricardo Teixeira da Silva Cruz, o Batman, e Toni Angelo de Souza Aguiar, o Toni.

Investigações revelam que a briga começou após o ex-PM Marcos José Lima Gomes, o Gão, ser preso, em agosto de 2015 , com R$ 37 mil, munição e joias. Segundo a polícia, Gão era o encarregado de recolher o dinheiro arrecadado com os negócios explorados pela milícia na Zona Oeste. A estimativa é a de que o valor arrecadado chegue a R$ 1 milhão por mês. Para o lugar de Gão, Toni e Batman e escolheram nomes diferentes , dando início a uma guerra.

Entre as vítimas da disputa está Ricardo Gildes de Souza, conhecido como Dentuço. Escolhido por Batman para comandar os negócios da milícia, ele foi sequestrado por homens armados de fuzis, que seguiriam ordens de Toni. Seu corpo nunca foi encontrado. A polícia investiga se Carlinhos Três Pontes comandou o sequestro de Dentuço.

Leia mais: http://extra.globo.com/casos-de-policia/milicia-da-zona-oeste-do-rio-avanca-para-municipios-da-baixada-fluminense-18670699.html#ixzz40HtRI4L4