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Hospital em crise tenta se prevenir de denúncias de falta de atendimento

21/12/2015 às 18:34 e atualizada 22/12/2015 às 01:23

A diretoria do Hospital Estadual Albert Schweitzer, na zona oeste do Rio, foi ontem (20) à 33ª Delegacia Policial (Realengo) registrar uma medida assecuratória de direito futuro para tentar se resguardar caso a falta de atendimento ou de insumos na entidade cause problemas mais graves. O diretor-geral da unidade, Dilson da Silva Pereira, e o diretor técnico, Paulo Ricardo Lopes da Costa, prestaram depoimento e a polícia aguarda uma manifestação da Secretaria Estadual de Saúde.

Segundo o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), Nelson Nahon, a medida é preventiva. “Quando você fecha a porta de uma emergência e começa a fazer triagem, por falta de insumos e medicamentos, pode acontecer de um paciente não ser atendido, ir para casa, acontecer uma coisa pior e a família decidir ir à delegacia denunciar omissão de socorro. Ele está dizendo que não está atendendo porque está sem material e sem recursos humanos.

De acordo com Nahon, a medida não impede que o Estado tenha que responder, caso um paciente que não atendido tenha seu estado agravado. “Mas a medida mostra que o que está acontecendo é uma situação de caos, uma situação extremamente grave. Não é só um hospital, é toda uma rede em cidades grande porte”, afirmou. Ele disse que o hospital Albert Schweitzer é uma emergência de grande porte importante para a região.

Com salários atrasados e relatos de falta de material, os funcionários da unidade contam dificuldades. “Estamos trabalhando porque abraçamos a profissão, mas não recebemos nem o salário de novembro nem a segunda parte do décimo terceiro”, revelou uma técnica de enfermagem da unidade, que preferiu não se identificar. Ela disse que tem gente passando por muita dificuldade, com criança pequena, sem poder comprar nem a cesta básica”, disse. Ela disse que não recebeu o salário e que não há previsão para isso.

Com o companheiro internado no hospital há 15 dias, Rosane Barroso, de 60 anos, conta que já teve que comprar fraldas, que estavam em falta no hospital. “Teve uma semana em que, quem limpou o lugar dele foi a acompanhante que eu pago para vê-lo durante o dia. Os funcionários fazem de tudo, mas falta medicamento, falta fralda, falta luva”.

Mãe de uma paciente que está internada desde sábado no hospital, Eliane dos Santos, de 53 anos, reclama da dificuldade para transferi-la. A filha sofreu traumatismo craniano após cair de um ônibus, e precisa ser removida para uma unidade com neurocirurgia. “Conseguimos uma liminar do juiz para fazer a mudança, mas estamos dependendo deles”.

Agredido por três pessoas em uma festa, o comerciante Milton Douglas Barbosa, de 51 anos, foi à emergência do hospital para obter um boletim de atendimento médico para levar à delegacia, mas não conseguiu. “Disseram que só atendem emergência. Pelo visto, meu caso não é emergência”, disse. “Não me fizeram nenhuma pergunta e nenhum médico me viu”.

 

O atendimento mensal na Posse variava de 10 mil a 11 mil pacientes antes da crise. Neste mês a estimativa é de 14 mil pessoas passando pela emergência do hospital. Muitos pacientes chegam em estado grave e, com o fechamento das emergências nos hospitais estaduais dos municípios vizinhos, a demanda cresceu além do esperado. De acordo com o diretor, Joe Castello, o aumento é preocupante. “Desde sexta-feira, cresceu em 40% o número de pessoas a serem consultadas”, disse.

Em reunião nesta segunda-feira, a OS HMTJ-RJ, que administra os hospitais estaduais citados, disse que o problema será resolvido e os servidores serão pagos, mas sem data prevista. Em nota, o Cremerj informou que alguns hospitais estaduais, como Albert Schweitzer, Rocha Faria e Saracuruna, limitaram a emergência e reduziram pela metade os leitos. Até o momento, médicos de 15 UPAs do estado, notificaram o Conselho sobre o atendimento precário e os fechamentos.

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Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde afirmou que o atendimento no hospital está restrito aos casos mais graves e aos que já estão internados. A secretaria informou que vem reunindo esforços com outras esferas de governo e a iniciativa privada para minimizar os transtornos da crise financeira do estado à população e restabelecer serviços “eventualmente suspensos ou restritos”. Segundo a secretaria, a situação só deve ser normalizada com repasses para o Fundo Estadual de Saúde.

O órgão disse ainda que o registro de ocorrência feito na 33ª DP “relata fatos inerentes à esfera administrativa e não criminal” e afirma que prestará as informações necessárias, caso sejam solicitadas pela polícia.