Arquivo da tag: Fifa

Corrupção presente na Fifa nasceu no Brasil, diz jornalista britânico em CPI

Andrew Jennings é autor de livros que serviram de base para investigações do FBI

 

Em depoimento na CPI do Futebol, nesta quinta-feira, o jornalista britânico Andrew Jennings, da BBC, disse que, baseado nas investigações que realiza há anos, e da colaboração com o FBI desde 2009, o esquema de corrupção presente no futebol mundial nasceu no Brasil. “Começou na década de 70 quando João Havelange se elegeu para a presidência da Fifa. Joseph Blatter foi seu principal assessor e deu continuidade ao modus operandi”.

Ele informou ainda que as investigações do FBI e da polícia suíça “estão na metade e muita gente ainda vai acabar atrás das grades”. Ainda em seu depoimento, Jennings sugeriu que Blatter tem ligações com a máfia russa e ironizou assessores da CBF que acompanham seu depoimento pessoalmente na Comissão. “Fiquem até o fim, voltem para o Rio, fechem aquela entidade e a reabram redemocratizada para a sociedade brasileira”.

 

Andrew Jennings é o autor dos livros que serviram de base para as investigações do FBI — a polícia federal norte-americana — que levaram este ano diversos dirigentes do futebol mundial à prisão, entre eles o ex-presidente da CBF, Jose Maria Marin.

“É preciso investigar a razão disso aí. Sua seleção se apresenta no mundo todo e quase nunca por aqui. Por que isso?”, indagou.

Jennings defendeu que as investigações também devem se dar sobre os contratos de transmissão e marketing desses jogos, assim como dos aviões e hotéis que são utilizados como estrutura no deslocamento do time. Ele ainda sugere um olhar minucioso sobre os contratos ligados à organização da Copa do Mundo no ano passado.

Romário vai refazer requerimentos para investigar contratos da CBF

Slide3

Em entrevista coletiva concedida após a reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Futebol, o senador Romário (PSB-RJ), presidente da comissão, anunciou que deverá refazer os pedidos de acesso aos contratos feitos pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) relacionados à negociação dos jogos da Seleção.

Esses requerimentos também tratam de contratos de outra natureza, com patrocinadores, e deverão especificar cada empresa e o período de vigência. O objetivo é se contrapor a uma liminar obtida pela CBF no Supremo Tribunal Federal (STF), que a desobriga de enviar os documentos à CPI. “É mais um sinal de que eles têm o que esconder”, disse o senador.

Os bastidores da Fifa nas vendas de ingressos para a Copa no mercado negro 

Em junho de 2014, o Jornal do Brasil publicou reportagem sobre o suspeito sistema de venda de ingressos para a Copa do Mundo adotada pela Fifa.  O que era segredo estava nos bastidores obscuros da distribuição dos bilhetes, envolvendo troca de favores e agentes do mercado negro. A verdade foi revelada pelo jornalista britânico Andrew Jennings, em seu livro “Um jogo cada vez mais sujo”, que dá detalhes das transações ilegais que enriqueceram os representantes das maiores instituições ligadas ao Futebol, incluindo os nomes dos brasileiros Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF e João Havelange, ex-presidente da Fifa.

As investigações de Jennings apontam os irmãos Jaime Byrom e Enrique Byrom, do México, como os grandes vilões nas negociações fraudulentas de ingressos da Copa, desde o Mundial realizado em 1986. Os Byrom são acionistas majoritários das empresas Match Services e Match Hospitality, que prestam serviços para a Fifa na distribuição dos tickets e hospitalidade durante as competições. De acordo com Jennings, atualmente há três tipos de contrato entre a Fifa e as organizações Byrom: um que trata da distribuição dos ingressos para os jogos da Copa no Brasil; outro específico para a acomodação do público estrangeiro no país sede e dos próprios brasileiros que vão se deslocar pelas cidades das competições; e um contrato para a ocupação dos novos e luxuosos camarotes de vidro nos estádios, com todas as mordomias oferecidas como comidas, bebidas e decoração arrojada. Esse último contrato foi feito através da Match Hospitality, que tem como um dos sócios o sobrinho de Joseph Blatter, presidente da Fifa, Philippe Blatter, e movimenta a maior soma de valores.

Segundo Jennings, os Byrom tinham o controle dos ingressos, e o esquema deles no Brasil incluía os Grupos Traffic e Águia. O dono da Traffic, José Hawilla, é um dos detidos em Zurique nesta quarta (27). Hawilla devolveu US$ 151 milhões (R$ 473 milhões) em um acordo com a Justiça, em dezembro do ano passado, quando confessou a sua participação no esquema. Contra ele tem as acusações de extorsão, conspiração por fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça. Em 14 de maio deste ano foi considerado culpado por fraude bancária.

 

Decadência do futebol Brasileiro

Crônica

Mais uma derrota da seleção Brasileira ocorreu ontem em jogo válido pelas quartas de final da Copa América 2015, realizada em Concepcion no Chile. Desta vez o algoz foi novamente o Paraguai, que já havia eliminado a seleção do Brasil na edição anterior do mesmo torneio e por coincidência também nos pênaltis.

Porém, esse jogo de ontem não foi o determinante para uma avaliação decadente do futebol do “país do futebol”. Se na década de 70, 80 e inicio de 90, tínhamos os melhores jogadores atuando por clubes nacionais, nos fins dos anos 90, os melhores jogadores já atuavam por times europeus. Apesar da queda de qualidade dentro do país, os nossos jogadores exportados, ainda faziam parte do rol dos melhores do mundo.

A partir do inicio dos anos 2000, as coisas começam a mudar e vemos jogadores indo para outros times de fora do país cada vez mais cedo. Muitos até mesmo antes de se profissionalizarem por aqui. Mesmo com a conquista do pentacampeonato, a crise já se era notada, afinal os jogadores com maiores responsabilidades nessa conquista, ainda faziam parte da safra, talvez uma das últimas de boa qualidade no país.

A CBF, sempre foi alvo de criticas e frequentemente era insinuada como uma entidade corrupta. Algo que hoje em dia, já se pode comprovar através de investigações internacionais que revelaram um esquema de corrupção na Fifa em parceria com as confederações de diversos países.

Slide3

A Lei Pelé, foi o oposto do que representou esse jogador para o país. Ela vem ao longo dos anos, decretando uma lenta falência dos grandes clubes Brasileiros. Antes, o jogador tinha o “passe” pertencente aos clubes. Hoje, após a criação dessa lei, empresários são donos de boa parte dos “melhores” jogadores daqui. Apesar de mudanças realizadas na Fifa, que impedem essa grande participação de empresários e que foi aprovada recentemente, o enraizamento desse grupo de pessoas que visam o lucro à qualquer custo, rendeu inúmeras denúncias de “convocações financeiras” de jogadores para a seleção Brasileira, deixando a técnica desses esportistas de lado e só priorizando o lucro.

Slide2

Tudo isso se reflete em campo, os maiores clubes do Brasil convivem com dividas milionárias através de anos, onde a mistura da busca pelo enriquecimento individual, usando o nome de clubes através de gestões fraudulentas e a inoperância da CBF, pois ela também visava apenas o dinheiro, deixam hoje o nosso futebol tão pobre, quanto a nossa distribuição de renda na nossa economia.

futebol

A derrota para a Alemanha em um vergonhoso 7a 1, de longe a maior derrota da história da seleção Canarinho e ainda mais sentida por ser em uma Copa do Mundo no Brasil, foi emblemática e transpareceu que o nosso futebol está cavando um buraco cada vez maior. Já podemos notar seleções de diversos cantos do mundo melhorando seus rendimentos, enquanto a nossa se afunda na lama da crise técnica e profissional.

Enquanto vivermos em busca de respostas a tantas perguntas, jovens e promissores jogadores assinam contratos milionários com clubes do exterior, e muitos destes conseguindo cidadania que não a Brasileira, para quem sabe um dia nos ensinar um pouco mais do que é perder.

Slide4

O futebol Brasileiro precisa urgentemente de boas categorias de base e conseguir formas que impeçam de perdermos tantos jovens para clubes de fora precocemente.

Crônica – Júlio Andrade

Blatter é reeleito presidente da Fifa após desistência de concorrente

Príncipe Ali Bin Al-Hussein, da Jordânia, havia perdido primeiro turno por 133 votos a 73 e não viu necessidade em ir ao segundo turno. Será o quinto mandato de Blatter

 

O atual presidente da Fifa, Joseph Blatter, foi reeleito para seu quinto mandato consecutivo à frente da entidade. A eleição aconteceu nesta sexta-feira, em Zurique, na Suíça, quando o mandatário derrotou seu único concorrente, o príncipe Ali Bin Al-Hussein, da Jordânia. Blatter havia vencido o primeiro turno das eleições por 133 votos a 73.Com a ampla vantagem conseguida, apenas uma reviravolta improvável com a nova votação dos 206 países representantes daria a vitória ao seu concorrente, que não viu necessidade em realizar o segundo turno (no qual bastariam 104 votos a Blatter). O suíço, de 79 anos, está no cargo desde 1998, quando sucedeu João Havelange. Sua gestão terá duração de mais quatro anos.

– Agradeço por me aceitarem pelos próximos quatro anos. Não vou desafiar vocês, mas temos de resolver problemas de organização dentro da Fifa. Precisamos de maior representatividade das federações, precisamos de mulheres, precisamos que as vozes repercutam na Fifa. Eu assumo a responsabilidade por trazer a Fifa de volta. Estou convencido de que faremos isso. Sou um homem persistente. Disse a vocês, gosto de vocês, gosto do meu trabalho, gosto de estar aqui. Não sou perfeito, ninguém é. Então, eu agradeço. Prometo a vocês, no fim do meu mandato, darei a Fifa ao meu sucessor em uma posição muito forte – afirmou Blatter logo depois da vitória.

Veja a matéria completa em http://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/noticia/2015/05/blatter-e-reeleito-presidente-da-fifa-apos-desistencia-de-concorrente.html

Corrupção no Futebol envolve ex presidente da CBF

Sete dirigentes da FIFA são detidos na Suíça por corrupção

 

Além dos sete, José Maria Marin, ex presidente da CBF

Além dos sete, José Maria Marin, ex presidente da CBF

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos, em uma manobra sem precedentes, coordenada com o FBI e a agência tributária, revelaram nesta quarta-feira em uma concorrida entrevista à imprensa no Brooklyn os detalhes da ação legal contra nove dirigentes da FIFA e cinco empresários implicados em uma trama de corrupção que durou 24 anos, formada para o enriquecimento com o futebol. As autoridades norte-americanas esperam que esse caso sirva para marcar um novo “começo” nas entidades que dirigem o esporte.

No total, foram arrolados 47 delitos contra os acusados, incluindo subornos, chantagens, fraude e conspiração para lavagem de dinheiro. Entre os acusados estão Jeffrey Webb e Jack Warner, atual e antigo presidente da Concacaf, a confederação que representa a FIFA na América do Norte, América Central e Caribe. O total da fraude chega a 150 milhões de dólares (450 milhões de reais), sob a forma de subornos para a obtenção de contratos vinculados aos direitos internacionais dos torneios e promoção em geral do esporte.

Loretta Lynch, que há poucas semanas estreou como procuradora-geral dos Estados Unidos, afirmou em coletiva de imprensa que se tratava de uma trama corrupta, com “raízes profundas”, que operou de modo sistemático “durante pelo menos duas gerações”. Afirmou ainda que os acusados “abusaram de seu poder e posição de confiança para se apropriarem de milhões de dólares em subornos e por meio de chantagem”. Em sua opinião, esse tipo de atitude causa danos enormes ao esporte.

As principais vítimas, disse ela, são as jovens ligas nos países em vias de desenvolvimento que se beneficiam das receitas geradas pelos direitos do futebol. E também centenas de milhões de seguidores desse esporte no mundo, que o apoiam. Por isso ela acredita que os responsáveis por essas práticas têm de ser submetidos agora à Justiça e espera que a ação legal envie uma clara mensagem. Pediu também à FIFA que faça uma supervisão “mais honesta”.

O futebol ganhou, desse modo, destaque no noticiário do dia nos EUA, mas não precisamente pelos motivos que se espera de um esporte que aspira a deixar de ser minoritário no país. Na coletiva de imprensa estiveram presentes cerca de 300 jornalistas e meia centena de câmeras. No ato participaram outros pesos-pesados do Governo norte-americano, como o novo diretor do FBI, James Comey, e o responsável pelas ações criminais da agência tributária, Richard Weber.

Na primeira hora da manhã, a pedido das autoridades norte-americanas, foram detidos em Zurique sete dos acusados de participar diretamente na trama ou como conspiradores, dirigentes da FIFA ou donos de empresas de marketing que se beneficiaram pessoalmente graças ao negócio desses direitos: Eduardo Li, Julio Rocha, Costas Takkas, Eugenio Figueredo, Rafael Esquivel e José María Marín. “Ninguém está acima da Lei”, repetiu o diretor do FBI. Em paralelo, foi inspecionada a sede da Concacaf em Miami.

Comey recordou que o futebol é o maior esporte do mundo e explicou que essa trama de corrupção atentava contra os princípios sobre os quais se sustenta. Lamentou especialmente que esse tipo de pagamento ilícito se tenha convertido em uma forma de fazer negócio no seio da FIFA. Como observou Weber, “os próprios líderes da organização enganaram os membros que se supunha que eles representassem”. “A corrupção, a evasão fiscal e a lavagem de dinheiro não podem ser os pilares de nenhum negócio”, acrescentou.

Charles Blazer, antigo secretário-geral da confederação americana, aparece citado como uma das seis pessoas que cooperaram com as autoridades para poderem esquematizar o caso e admitiu sua culpa na trama. Também José Hawilla, proprietário da empresa Traffic Group, com sede no Brasil. Além disso, as autoridades norte-americanas deixaram claro que as acusações anunciadas não devem ser vistas como o ponto final dessa investigação que assola o futebol.

A investigação por parte das autoridades norte-americanas se desenrolou durante 12 anos. Lynch espera agora que os detidos possam ser extraditados para ir a julgamento nos EUA. Ela garante que eles “serão submetidos a um julgamento justo”. Citou, mais especificamente, como os acusados usaram sua posição para “encher os bolsos” com eventos como a Copa América de 2016 e a Copa do Mundo na África do Sul.

Com essa trama, explicou, influenciaram em decisões que vão desde a transmissão de partidas pela televisão, a escolha dos lugares de realização de torneios e até a escolha de quem dirige a FIFA. “Em vez de promover o esporte, exploraram sua posição em troca de dinheiro de empresas que buscavam fazer contratos com a FIFA”, repetiu o promotor nova-iorquino Kelly Currie ao explicar o funcionamento do esquema fraudulento. Esses subornos foram pagos por meio de intermediários.

“Esta é a Copa do Mundo da Fraude e hoje mostramos a eles o cartão vermelho”, disse o responsável pela agência tributária, que afirmou que “os fãs desse esporte” não deveriam ter de se preocupar com a conduta corrupta dos diretores da FIFA”. Para Comey, o problema de fundo é que o cinismo que o caso mostrou domina o negócio do futebol, depois de décadas de suspeitas. Mas até agora eles não encontraram provas para poder agir.

Durante a madrugada, agentes suíços prenderam os envolvidos em seus quartos do hotel de cinco estrelas Baur aur Lac, um edifício de luxo com vista para os Alpes e o Lago de Zurique, onde os dirigentes se reúnem para seu encontro anual, que começa na sexta-feira e no qual haverá eleições para a presidência da FIFA.

“É um dia triste para o futebol”, disse Ali Bin Al Hussein. Depois de pedir as chaves na recepção, os agentes se dirigiram aos quartos para efetuar as prisões. O jornal diz que um alto cargo da FIFA (que não identificou) foi conduzido pelas autoridade a uma saída pelos fundos para deixar o hotel, permitindo-lhe levar a sua bagagem.

 

Começa o processo penal

O Ministério Público da Confederação Helvética abriu um processo criminal contra desconhecidos, cuja identidade não foi revelada, por suspeita de gestão desleal e lavagem de dinheiro relacionado com a escolha das sedes das Copas do Mundo de 2018 e 2022. Agentes da FIFA recolheram documentos e dados eletrônicos da sede principal da FIFA, em Zurique, confirmou a própria instituição em um comunicado.

As Copas do Mundo de 2018 e 2022 serão realizadas na Rússia e no Qatar, respectivamente, locais que foram escolhidos em uma cerimônia realizada em Zurique, em dezembro de 2010, e que na ocasião já tinham sido alvo de controvérsia por suspeitas de corrupção.

A Procuradoria anunciou na quarta-feira que o processo penal foi aberto em março “por suspeita de irregularidades na atribuição da Copa do Mundo de Futebol de 2018 e 2022″. Foi a própria FIFA que, em novembro 2014, apresentou uma queixa-crime contra desconhecidos ao promotor da Confederação”, razão pela qual o processo suíço se dirige contra desconhecidos e que a instituição FIFA participa como vítima”, explica a promotoria.

“O enriquecimento ilícito correspondente foi efetivado, ao menos em parte, na Suíça. Além disso, a sede da instituição vítima (FIFA) tem sede na Suíça. Por essas razões, foi aberto um inquérito por gestão fraudulenta”, acrescenta o comunicado. Além disso, a promotoria indica que “existem suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de relações bancárias na Suíça”.

 

Entenda o escândalo

As autoridades suíças anunciaram que fariam sua própria investigação sobre o processo de escolha dos países-sede das Copas de 2018 (Catar) e 2022 (Rússia). A polícia suíça entrou na sede da Fifa, em Zurique, e apreendeu provas eletrônicas.

Por que isso é importante?

A Fifa é o órgão responsável pelo futebol mundial. Nos últimos anos, sofreu acusações de corrupção, particularmente no processo de escolha da sede do Mundial de 2022 – o vencedor foi o Catar.

Em dezembro de 2014, a Fifa decidiu não divulgar sua própria investigação de corrupção – que, segundo a entidade, disse que o processo de escolha foi isento. O autor do relatório, o americano Michael Garcia, renunciou ao cargo.

A Copa do Mundo gera bilhões de dólares em receita. As prisões e a investigação lançam dúvida sobre a transparência e honestidade do processo de escolha nos últimos torneios.

Como o Brasil aparece na investigação?

 

Três brasileiros estão implicados no esquema de corrupção, de acordo com o departamento de Justiça dos EUA.

Um dele é o ex-presidente da CBF José Maria Marin – a nota do Departamento de Justiça não detalha as suspeitas contra ele. A CBF se manifestou a respeito da investigação por meio de nota dizendo que “aguardará, de forma responsável, sua conclusão, sem qualquer julgamento que previamente condene ou inocente.”

A Justiça americana diz que José Hawilla, dono da Traffic Group, maior agência de marketing esportivo da América Latina, confessou os crimes. A Traffic é dona de direitos de transmissão, patrocínio e promoção de eventos esportivos e jogadores, além de empresas de comunicação no Brasil. Consultado pela reportagem, o advogado de J. Hawilla, José Luis de Oliveira Lima, afirmou que o dono da Traffic “apoia as investigações e prestou esclarecimentos devidos às autoridades americanas” e está em liberdade nos Estados Unidos.

 

O terceiro brasileiro investigado pelo FBI é José Lazaro Margulies, proprietário das empresas Valente Corp. e Somerton Ltd., ambas ligadas a transmissões esportivas.

A nota divulgada pela justiça norte-americana afirma ainda que investiga suposto pagamento e recebimento de suborno em um patrocínio “da CBF para uma grande empresa de roupas esportivas dos EUA”.

 

A Justiça americana também cita a Copa do Brasil, organizada pela CBF, como uma das competições em que poderia ter havido corrupção na negociação de direitos de transmissão e marketing.

A Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, não é citada especificamente no documento.

Como funcionaria o esquema?

A denúncia afirma que, de 1991 até o momento, autoridades da Fifa se envolveram em vários crimes, incluindo fraude, subornos e lavagem de dinheiro. A Justiça afirma que duas gerações de dirigentes usaram suas posições para fazer parcerias com executivos de marketing esportivo que impediam outros de ter acesso a contratos e mantinham os negócios para eles por meio do pagamento de propinas.

A maior parte dos esquemas, de acordo com o departamento de Justiça, envolve recebimento de propina de executivos de marketing para comercialização de direitos de mídia e marketing de diversas competições esportivas – entre eles Copa América, Libertadores e Copa do Brasil.

Quem são os acusados?

Foram presas figuras-chave do futebol na América Latina, América do Norte e Caribe.

Além dos brasileiros implicados, foi preso o presidente da Concacaf, Jeffrey Webb, visto com um provável sucessor do presidente da entidade, Joseph Blatter.

Uma outra figura-chave é Charles “Chuck” Blazer, ex-representante da Fifa nos EUA, que aparentemente se tornou informante do FBI. Ele confessou ser culpado e já devolveu US$ 1,9 milhão.

Blatter foi preso?

Josefh Blatter presidente da FIFA

Joseph Blatter presidente da FIFA

Não. O presidente da Fifa – e homem mais poderoso do futebol mundial – não está entre os citados nos indiciamentos dos Estados Unidos. Mas a justiça americana afirma que os envolvidos estavam a serviço da Fifa – da qual ele é presidente. Até agora, ele não se pronunciou. Blatter tem grandes chances de ser reeleito à Presidência da entidade na sexta-feira.

Recentemente, ele foi forçado a negar rumores de que estaria evitando viajar para os EUA porque temia ser preso.

Por que eles foram presos?

O FBI está investigando a Fifa há três anos. As investigações tiveram início por causa do processo de escolha dos países sedes das copas de 2018 e 2022 (Rússia e Catar), mas foi expandida para analisar os acordos da Fifa nos últimos 20 anos.

Slide4

A acusação do Departamento de Justiça dos EUA diz que a corrupção era planejada nos EUA, mesmo quando era efetuada em outros locais. O uso de bancos americanos para transferir dinheiro é uma peça-chave da investigação.

Por que a Suíça?

É a sede da Fifa – o registro da entidade como instituição de caridade faz com que pague impostos reduzidos.

A Suíça é conhecida como um país onde empresas pouco transparentes são bem-vindas, principalmente em relação a impostos. Mas seu acordo de extradição com os EUA é claro: pessoas envolvidas em crimes podem ser enviadas aos EUA.

Aparentemente, autoridades americanas aproveitaram o que o congresso anual da Fifa fez com que todos se reunissem em um país que não colocaria obstáculos à extradição.

Os suíços também parecem estar indo atrás da Fifa, com três investigações em curso – incluindo uma anunciada horas após as prisões, sobre a escolha das cidades-sede das próximas Copas.

Quanto dinheiro está envolvido?

Muito, supostamente.

A denúncia dos EUA alega a corrupção envolveu US$ 150 milhões, e isso não inclui outras transações pelo mundo. Um relatório anterior sobre corrupção no Caribe, que vazou, afirma que propinas de US$ 40 mil foram pagas a autoridades em envelopes cheios de dinheiro.

Quase toda a renda da Fifa vem da Copa do Mundo, o evento esportivo mais lucrativo do mundo – superando as Olimpíadas. A Copa do ano passado custou ao Brasil cerca de US$ 4 bilhões, e a Fifa lucrou mais de US$ 2 bilhões.

O custo das duas próximas Copas deve ser superior: a Copa do Catar deve custar mais que US$ 6 bilhões.

Só concorrer a sediar a Copa já tem um custo enorme: a federação inglesa gastou 21 milhões de libras para concorrer à Copa de 2018.

As Copas da Rússia e do Catar serão feitas em outros países?

Isso é improvável, mas não impossível.

A denúncia dos EUA aborda casos de corrupção no passado – a Copa de 2010 na África do Sul, por exemplo, é mencionada – mas não futuros. As investigações da Suíça devem ser mais frutíferas em relação a isso, mas seria preciso ter provas contundentes para fazer a eleição outra vez.

Mudar a Copa da Rússia seria difícil. Poucos países têm estádios, infraestrutura e dinheiro para sediar o evento em um prazo tão curto. A melhor opção seria a Alemanha, que sediou a Copa de 2006.

O Catar é bem mais vulnerável e foi inundado com denúncias e alegações de corrupção desde que foi escolhido como sede. Mas, mesmo depois de ter visto vários escândalos de corrupção, uma mudança inédita de um torneio de verão para inverno e um escândalo sobre mortes de trabalhadores migrantes, há chances de que eles ainda sediem a competição de futebol mais importante do mundo.

Mas, segundo o procurador americano Kelly T. Currie, a investigação não vai parar por aí.

“Após décadas, segundo a denúncia, de corrupção descarada, o futebol internacional organizado precisa de um novo começo – uma nova chance para suas instituições fazerem uma vigilância honesta e apoiarem um esporte amado pelo mundo. Deixe-me ser claro: essa denúncia não é o último capítulo da nossa investigação”, afirmou.

Em meio a escândalo da Fifa, Polícia Federal vai à empresa de Kleber Leite no Rio

Slide5

Em meio ao escândalo da Fifa que rendeu prisões na Suíça, agentes da Polícia Federal estiveram na empresa de Kleber Leite, a Klefer, nesta quarta-feira à noite, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O empresário, ex-presidente do Flamengo, não teve o seu nome citado diretamente, mas teria feito J. Hawilla, dono da Traffic, pagar propina à CBF pelo acordo dos direitos comerciais da Copa do Brasil entre 2015 e 2022, de acordo com relatório publicado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Os agentes permaneceram no local por mais de duas horas, chegaram por volta das 18h e saíram às 20h40. Foram dois carros da Polícia Federal, com um delegado e sete policiais, e um carro do Ministério Público, com dois procuradores. A empresa de marketing esportivo entregou os documentos que foram solicitados para a investigação e se colocou à disposição das autoridades.

Em uma nota oficial divulgada após a ação nesta noite, Kleber Leite se defendeu e negou as acusações de J. Hawilla contra ele. O empresário disse que se supreendeu com o noticiário e atacou o dono da Traffic, dizendo que ele deve ter tido a “cabeça e o caráter afetados por causa de uma grave doença”. Em uma delação premiada à Justiça norte-americana, Hawilla teria entregado e citado o nome de Kleber.

“Hoje, fui surpreendido pelo noticiário dando conta que por problemas com o fisco americano, e ante a possibilidade de ser preso, negociou com quem de direito, e através de uma delação premiada fez uma série de acusações, sendo uma delas a de que teríamos nós da Klefer, a exemplo dele, réu confesso, pago propina para a obtenção do contrato mencionado aqui. Jamais usamos deste expediente para obtenção de qualquer contrato ao longo dos 32 (TRINTA E DOIS!) anos de vida da Klefer. Talvez por isso, tenhamos um tamanho normal para uma empresa de Marketing Esportivo. Em segundo lugar, o valor pago à CBF é o maior indicador de que este foi o limite do investimento. Agora mesmo, ante a crise que vivemos, são grandes as dificuldades em se conseguir o equilíbrio desejado. Desafio a qualquer empresa de consultoria afirmar que o preço que é pago pela Klefer à CBF, pelos direitos pertinentes à Copa do Brasil, não seja mais do que justo. Os contratos e toda a documentação aqui mencionada, estão à disposição. Aqui, não há nada a temer. Soube que neste período, J. Hawilla passou por momentos difíceis em função de grave doença. Provavelmente, pelo que ouço e leio, a cabeça dele deve ter sido afetada. A cabeça, o caráter e, principalmente, o sentimento de gratidão. Lamentável!!! Que fim de vida… Para encerrar, acuso que recebemos na Klefer as visitas do Ministério Público e da Polícia Federal, em ato de cooperação com o Governo Americano, e que todos os documentos solicitados foram prontamente entregues. A Klefer, através de seus dirigentes, está inteiramente à disposição das autoridades”, diz a nota.

Fontes: ESPN Brasil, El País e TV Senado