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Pedaladas do governo Dilma não são crime, diz Ministério Público

O Ministério Público Federal (MPF) concluiu que as pedaladas fiscais não configuram crimes comuns, inclusive as que embasam o processo de impeachment de Dilma Rousseff. O procurador da República no Distrito Federal Ivan Claudio Marx pediu o arquivamento de investigação aberta para apurar possível infração penal de autoridades do governo da presidente afastada, em  parecer enviado à Justiça nesta quinta-feira (14). Os argumentos sobre as pedaladas coincidem com os da defesa de Dilma no processo de impeachment.

O procurador analisou seis tipos de manobra do governo Dilma e ouviu integrantes da equipe econômica, e analisou auditorias do TCU e documentos das operações. De acordo com ele,  as manobras não se enquadram no conceito legal de operação de crédito ou empréstimo, portanto, não seria necessário pedir autorização ao Congresso. As informações são do jornal paulista Estadão.

O procurador concluiu, todavia, que as manobras visaram maquiar as contas públicas, principalmente em 2014, o que determinaria improbidade administrativa, um delito civil. O despacho, diz que o governo não fez pagamentos nas datas acordadas, descumprindo contratos com bancos e que, em alguns casos, os atrasos em repasses tinham previsão legal e que as autoridades não tinham a intenção de fazer empréstimos ilegais.

Na semana passada, o procurador já tinha arquiva um procedimento específico sobre o BNDES e, agora, arquiva todas as outras investigações de atraso em pagamentos com o mesmo entendimento, de que se trata de “inadimplemento contratual”.

“Não foram os aumentos nos volumes de débitos da União, surgidos a partir de 2013, que configuraram o crime de ‘operação de crédito sem autorização legislativa’. De modo que, desde o ano de 2000 esse crime vem sendo praticado e todos os seus praticantes devem ser responsabilizados ou nenhum o deve, no caso de se entender que não tinham conhecimento de que o tipo penal criado no ano de 2000 se amoldava àquela praxe preexistente e que permanecera até 2015 sem qualquer questionamento por parte das autoridades de controle”, disse o procurador, citando o TCU.

 

Comissão aprova parecer e impeachment chega ao capítulo final na Câmara: Entenda o que acontece agora

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Com já esperada derrota da presidente Dilma Rousseff na votação da Comissão Especial, ocorrida na noite desta segunda-feira, o trâmite do impeachment chega à sua reta final na Câmara dos Deputados.

Bem menos previsível, porém, será o último – e mais importante – momento na Casa, que deve ter início na sexta-feira: a sessão em que os deputados enfim decidirão se autorizam a abertura do processo contra a petista.

As discussões na comissão, que por 38 votos a 27 emitiu parecer recomendando o afastamento de Dilma, foram bastante longas – começaram na sexta, avançaram pela madrugada, foram interrompidas no fim de semana e só concluídas nesta noite. E as perspectivas são de que o debate no plenário seja ainda mais longo.

No pedido de afastamento, a presidente é acusada de crimes de responsabilidade no mandato passado, com as “pedaladas fiscais”, e no atual, com o prosseguimento das manobras e a assinatura de decretos de abertura de crédito sem autorização do Congresso, além de improbidade administrativa por omissão no caso de corrupção na Petrobras.

Ao aceitar a peça assinada pelos juristas Janaína Paschoal, Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr., o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acolheu apenas parte das denúncias. Logo, o que a Câmara avalia concretamente é se houve crime nas contas em 2015.

Na defesa da presidente, o ministro José Eduardo Cardozo (Advocacia-Geral da União) afirmou que afastá-la por causa das “pedaladas fiscais” seria um “golpe” à Constituição. “Não há impeachment no sistema presidencialista sem situação de gravidade extrema”, argumentou.

Cardozo disse também que os decretos de abertura de crédito não elevaram os gastos do governo – segundo ele, houve apenas um remanejamento de despesas.

Nesta segunda-feira, ao falar perante a Comissão Especial, o ministro da AGU sinalizou que o governo deve questionar no Supremo Tribunal Federal a legalidade do processo de impeachment.

Entenda, a seguir, o que ocorre agora:

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Quando deve ocorrer a votação no plenário?

Votado nesta segunda-feira, o parecer deve ser lido nesta terça no plenário da Câmara e publicado no dia seguinte.

A partir daí, ele precisa ser inserido em até 48 horas na ordem do dia da próxima sessão.

Espera-se que, com isso, o debate em plenário seja iniciado na sexta-feira, e que a votação prossiga até o domingo.

Diante da turbulência que vem por aí, a Câmara até já mandou restringir o acesso a seu prédio entre a quinta e o próximo dia 21: só pessoas credenciadas poderão entrar.

Como vai ser a votação no plenário?

Para quem tiver a intenção de assistir a tudo, a recomendação é se preparar para passar o dia (e talvez noite) na frente da TV.

Isso porque, além dos debates que irão preceder a votação em si, a Constituição prevê que os votos sejam nominais, ou seja, que todos os deputados profiram os seus individualmente.

Numa Casa formada por 513 integrantes, isso tudo requer bastante tempo.

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Quantos votos serão necessários para o processo avançar?

Para que o impeachment avance, são necessários 342 votos a favor da continuidade do processo.

Isso significa que dois terços do total de 513 deputados terão de decidir que Dilma cometeu crime de responsabilidade.

Além dos votos contrários ao impeachment, ausências e abstenções também contam em favor da presidente.

Dilma pode ser afastada após a decisão da Câmara?

Não. Caso os deputados decidam pelo avanço do processo, a tramitação será remetida ao Senado.

Dilma só seria afastada se o plenário decidir, por maioria simples (ao menos 41 dos 81 votos), dar início ao processo autorizado pela Câmara.

Se isso ocorrer, a presidente teria de sair temporariamente do cargo, por até 180 dias, enquanto esperaria o julgamento final pelos senadores. Enquanto isso o vice, Michel Temer (PMDB) assumiria a cadeira.

Caso o Senado não concluísse o processo nesse prazo, Dilma reassumiria e aguardaria a votação no exercício do mandato.

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Como seria o julgamento pelo Senado?

O procedimento não é chamado de julgamento à toa: a Constituição estabelece que o presidente do Supremo Tribunal Federal deve comandar a sessão no Senado. Além disso, há protocolos como discursos da acusação e da defesa, assim como ocorre em um júri comum.

Segundo a Carta Magna, o presidente do STF deve fazer um relatório resumido da denúncia, das provas apresentadas pela acusação e da defesa antes que os senadores votem nominalmente – com direito a discurso, assim como ocorre na Câmara.

Seriam necessários os votos de no mínimo dois terços da Casa, ou 54 senadores, para que Dilma perdesse definitivamente o mandato.

Como resultado desse desfecho, o vice ocuparia o cargo até o fim do mandato e ela ficaria inelegível por oito anos.

Se o impeachment não recebesse os votos necessários, a presidente seria absolvida e retomaria suas funções.

Fonte: BBC Brasil

Em enquete, internautas pedem o Impeachment de Dilma Rousseff

Através de enquete em nosso blog e grupo no Facebook, os internautas puderam opinar dizendo se eram à favor ou contra o Impedimento de Dilma Rousseff.

No blog  66.67%  dizem ser à favor do impedimento, enquanto  33.33%  disseram que não aprovam o Impeachment.

Já no grupo do BOCA NO TROMBONE no Facebook, foram 28% contra e 72% à favor da cassação da atual presidente.

enquete

Vice Michel Temer trabalha pelo impeachment de Dilma Rousseff

“A saída do Eliseu acabou com qualquer dúvida”, diz um aliado de Temer, sobre as pretensões do vice ao Palácio do Planalto

Na coluna de Fernando Molica do jornal O Dia, o repórter diz que toda manobra feita, mostra  a intenção de Temer.

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De olho na Presidência, o vice Michel Temer trabalha pelo impeachment de Dilma Rousseff. O pedido de demissão do ministro Eliseu Padilha — muito ligado a Temer — e as conversas do vice com integrantes da oposição e com deputados do PMDB deixaram claro que ele quer o Palácio do Planalto. “A saída do Eliseu acabou com qualquer dúvida”, diz um aliado de Temer.

Há dois grupos no PMDB. O liderado pelo vice, que inclui o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e outro puxado pelo líder da bancada, deputado Leonardo Picciani, que luta pela permanência da presidenta.

Cabo de guerra

Ontem, o grupo de Temer pressionava Henrique Eduardo Alves, ministro do Turismo, para que ele deixasse o cargo; o governo e Picciani insistiam em sua permanência. A bancada governista ganhou o reforço do pai de Leonardo, Jorge Picciani, presidente do PMDB-RJ que foi para Brasília.

Com Dilma

Chamado pelo doleiro Alberto Youssef de “pau mandado” de Cunha, o ministro Celso Pansera ficou com os Picciani. Ministro da Saúde, Marcelo Castro também está ao lado dos governistas.

Dono da lista

Leonardo Picciani também sofre pressões do grupo pró-impeachment: ele é que vai escolher os oito peemedebistas que integrarão a comissão de deputados que analisará o afastamento de Dilma.

‘Plano Temer’

A oposição do vice é aberta: ex-ministro da Aviação e pessoa de confiança de Temer, Moreira Franco publicou artigo em que critica “o descaso com regras básicas da economia” e chama de ‘Plano Temer’ o documento ‘Uma ponte para o futuro’, focado em temas econômicos e que foi lançado pelo PMDB em outubro.

‘Camisa de força’

Moreira postou no Twitter que o início do processo de impeachment “rompe as amarras de uma camisa de força que ao longo deste ano foi imposta à sociedade brasileira.”

Mais sessões

Deputados da base aliada foram convocados para chegar a Brasília na manhã de segunda-feira. Para evitar a pressão das ruas, o partido quer forçar a realização de sessões na Câmara às segundas e sextas. Bastam 51 deputados em plenário para abrir os trabalhos.

Dilma apressada

Dilma deverá responder rapidamente aos questionamentos que embasam o pedido de impeachment: ela teria prazo de até dez sessões da Câmara para apresentar seus argumentos. Depois, a comissão de deputados terá o tempo correspondente a cinco sessões para tomar uma decisão e levar o caso ao plenário. O governo acha que dá tempo de fazer isso antes do recesso.

Lula lá longe

No meio do processo do impeachment, Lula vai ficar cinco dias fora do país. Embarca terça para a Alemanha e depois seguirá para a Espanha. Terá encontros com políticos e sindicalistas.

Dilma é alvo de protesto e vaias durante desfile de 7 de Setembro em Brasília

Boneco representando a presidente com nariz de Pinóquio e faixa rasgada foi erguido em Brasília

 

Em meio à crise política que vive no início de seu segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff teve de lidar com protestos e vaias durante o desfile de 7 de setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Logo no início das comemorações, manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) atearam fogo a pneus numa rua próxima ao local do evento. Bonecos representando o ex-presidente Lula com roupa de presidiário, o já conhecido Pixuleko, e a presidente Dilma com nariz de Pinóquio, manchas de lama e faixa presidencial rasgada – apelidado de Pixuleca, foram erguidos em locais próximos.

 

Com a presença do vice-presidente Michel Temer e diversos ministros, a celebração da Independência começou por volta das 8h45min. A menos de 2km do local em que a presidente desfilava em carro aberto, o boneco do ex-presidente Lula vestido de presidiário era erguido por manifestantes. Quase ao mesmo tempo, um protesto por moradia popular queimava pneus ali perto. Quando a presidente começou seu discurso, foi alvo de vaias – logo respondidas com aplausos e gritos de “no meu país, eu boto fé, porque meu país é governado por mulher”, segundo o jornal Correio Braziliense.

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Boneco representando a presidente Dilma e o ex presidente Lula, foram erguidos em local próximo ao desfile (Foto: Renata Colombo / Rádio Gaúcha)

Pouco tempo depois, um boneco representando a presidente Dilma também foi erguido próximo à Esplanada. De acordo com o Correio Braziliense, o produto custou cerca de R$ 13,5 mil e foi fabricado por organizadores do movimento Brasil. Ele tem mais de 13 metros e mostra a presidente com manchas de lama, nariz de Pinóquio e a faixa presidencial rasgada. Às 9h30min, o fogo dos pneus já havia sido controlado pelos bombeiros. Os dois bonecos – que representavam Lula e Dilma – acabaram sendo rasgados e murcharam.

A área reservada para a população que quer acompanhar o desfile foi diminuída e separada por tapumes metálicos. Manifestantes bateram na estrutura com colheres, algo semelhante aos panelaços promovidos durante os discursos televisionados da presidente – o protesto foi apelidado de “colheraço”. Os muros também foram pichados com as palavras “muro da vergonha”, “intervenção militar já” e “art. 142 e 144 C.F.” (em referência aos artigos da Constituição que tratam das forças armadas e da segurança nacional). Ao fim dos desfiles, parte do murro foi derrubado por manifestantes, que tiveram de ser contidos pela polícia.

Por volta das 10h20min, duas pessoas tentaram invadir o local do desfile e foram contidos por cerca de 10 policiais. De acordo com a Polícia Militar, são 25 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios – seriam quase 200 manifestantes pró-Dilma e mil contra, diz a PM. Às 11h, carros de som se agrupavam perto do Museu da República e reproduziam mensagens de protesto contra o governo. Por volta das 11h30min, a polícia fez cordão de isolamento no entorno do Congresso, enquanto os manifestantes se aglomeravam ao redor dos bonecos.

Temer diz que, se continuar assim, fica difícil Dilma concluir mandato

FOLHAPRESS

O vice-presidente Michel Temer disse, em mais uma rodada de conversas com empresários de São Paulo, que será difícil Dilma Rousseff chegar até o fim do mandato se permanecer com índices tão baixos de popularidade.

Depois disso, já no final do evento, se exaltou ao responder uma pergunta do empresário Fábio Suplicy, que questionou como Temer gostaria de entrar para a história: “Estadista ou oportunista?”, indagou.

Visivelmente irritado, Temer disse que muita gente fala sobre o assunto, mas ele “não move uma palha” para prejudicar a petista. “Não há um fato na minha trajetória que o senhor possa apontar”, afirmou. Depois disse que, se conspirasse, “aí sim eu estaria manchando a minha história”.

A fala ocorreu já ao final do evento. Antes, questionado sobre as hipóteses que rondam o fim precoce do governo -renúncia, impeachment ou cassação via Justiça Eleitoral-, afirmou que Dilma não faz o estilo “renuncista” e que, se a chapa for cassada, não discutirá, “porque as instituições têm que funcionar”.

“Se a chapa for cassada eu vou para casa feliz. Ela vai para casa… Não sei se feliz”, concluiu, provocado pela plateia.

Por fim, questionado sobre o que fazer pelos próximos anos se a situação do governo não melhorar, respondeu: “Se continuar assim, de fato, fica difícil”.

Temer asseverou que “espera que o governo vá até 2018” e que acredita que há chances de recuperação caso a economia melhore e a articulação política também.

AGREDIDO

Questionado pela patrocinadora do evento, a empresária Rosangela Lyra, sobre Dilma ter assumido a articulação política, chamando líderes do Congresso para conversas à revelia de Temer, o vice disse que não se sentiu agredido por isso.

“A presidente não me agrediu com essa história de chamar A ou B. Até porque há duas semanas eu passei a cuidar da articulação macro”, afirmou, dizendo que deixou o varejo da política.
Ele ainda ressaltou que o PMDB estará unido para definir os rumos da crise e que o partido apoia integralmente o ministro Joaquim Levy (Fazenda).

CPMF

O vice afirmou ainda que se considera responsável pelo governo ter enterrado a ideia de recriar a CPMF.

Ele voltou a narrar a conversa que teve com Dilma e que a avisou sobre uma derrota “fragorosa” no Congresso caso a medida fosse à pauta.

Ele disse que considerou melhor o governo desistir da CPMF exibindo um deficit nas contas do que sofrer “duas derrotas”: a derrubada da proposta no Congresso e depois a exposição do rombo nas contas públicas.

MORO

Questionado sobre o combate à corrupção, disse que isso é um problema de gestão. Afirmou que o arcabouço legal é suficiente para punir os que erram e citou a atuação do juiz Sérgio Moro. “Ele atua com a legislação vigente, e olha o que está fazendo”, afirmou.

Mais ao final, se exaltou ao defender o direito à ampla defesa e disse acreditar que, após o final do trabalho do juiz federal Sergio Moro, que conduz os processos da Lava Jato na primeira instância, o país terá mudado.

 

 

EUA espionaram ministros de Dilma e o avião presidencial

por Natalia Viana e Julian Assange*

 

Assessores pessoais da presidenta também foram grampeados pela NSA, revela o WikiLeaks. Por Natalia Viana e Julian Assange

 

Na mesma semana em que Dilma Rousseff realizou a primeira viagem presidencial aos Estados Unidos, informações secretas obtidas pelo WikiLeaks revelam detalhes sobre a espionagem da NSA, sigla em inglês da Agência Nacional de Segurança, contra a presidenta e assessores próximos, ministros e um integrante do Banco Central.

As informações, às quais a Agência Pública e Carta Capital tiveram acesso em primeira mão, revelam que a espionagem da NSA no início do governo Dilma centra-se não só na figura da presidenta, mas em integrantes ou ex-integrantes importantes do governo nas áreas econômica, financeira e diplomática. São 29 “alvos”. Entre eles, Antonio Palocci, então chefe da Casa Civil.

 

O celular do assistente da presidenta Anderson Dornelles, responsável por cuidar das ligações pessoais de Dilma, também estava na mira da NSA. Nem o avião presidencial escapou da bisbilhotagem norte-americana.

As informações provêm de uma base de dados usada pela NSA para selecionar “alvos” cujas comunicações devem ser analisadas. Os arquivos sobre alvos (ou “selectors”) brasileiros referem-se a 2011 e fazem parte de uma série de vazamentos realizados nas últimas semanas.

Recentemente, o WikiLeaks publicou uma lista de 69 nomes que seriam alvo da NSA na Alemanha, incluídos ministros e representantes para comércio, finanças e agricultura, além do assistente pessoal da chanceler Angela Merkel. Também foram publicados dois resumos de conversas interceptadas em 2011. Em uma delas, Merkel discute com seu assistente a crise grega. No fim de junho, o WikiLeaks revelou que os EUA espionaram o presidente francês, François Hollande, e dois ex-presidentes, Jacques Chirac e Nicolas Sarkozy, além de ministros das Finanças e empresários. Em resposta, Hollande realizou uma reunião de emergência do seu gabinete e ligou em seguida para Obama, que garantiu que os EUA deixaram de fazer espionagem. O ministro de Relações Exteriores convocou o embaixador americano em Paris para pedir explicações. Merkel fez o mesmo.

Diferentemente dos vazamentos europeus, os dados sobre o Brasil não contêm mensagens interceptadas, apenas enumera os alvos preferenciais dos EUA.

Para monitorar a chefe do Executivo, a NSA selecionou nada menos que dez telefones diretamente ligados a Dilma. São telefones fixos de escritórios, como aquele usado pelo comitê de campanha, em 2010, no Lago Sul de Brasília, celulares marcados como “relações de Dilma” (“liaison”, em inglês) e a linha fixa do Palácio do Planalto.

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Dornelles, assessor pessoal de Dilma, foi incluído na lista de “alvos” da NSA no primeiro ano do mandato e seu celular passou a ser atentamente monitorado.  O gaúcho de 35 anos, chamado pela presidente carinhosamente de “bebê” e “menino”, é há duas décadas seu fiel escudeiro. Começou a trabalhar como office-boy da presidente aos 14 anos, quando ela presidia a Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul, e a acompanhou em todos os cargos públicos desde então.

O tema de interesse em espionar Anderson Dornelles está descrito como “Brasil: Assuntos Políticos”. Espioná-lo era considerado prioridade de “nível 3” (todos os alvos brasileiros estão nesse mesmo patamar) para o governo dos EUA. Quanto mais baixo o número, segundo a classificação da NSA, maior a prioridade.

 

Todos os alvos brasileiros têm prioridade “3”, enquanto os alemães são considerados prioridade “2”, assim como os presidentes franceses.

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Outro integrante espionado foi Antonio Palocci, que deixou o governo em junho de 2011, após denúncias de enriquecimento ilícito: seu patrimônio aumentou 20 vezes entre 2006 e 2010. O então ministro Palocci era o principal articulador político do governo.

A presidenta não era deixada em paz pelos ouvidos atentos da NSA nem mesmo quando estava em viagem. O telefone via satélite instalado no avião presidencial, o Airbus Força Aérea 1 também estava na mira. O avião é equipado com sistema de comunicação por satélite da empresa britânica Inmarsat, que opera 11 equipamentos posicionados em órbita geoestacionária ao redor da Terra. Nada disso evitou que os espiões norte-americanos pudessem acessar livremente o conteúdo das chamadas presidenciais a bordo do avião.

Assim como no caso de Alemanha e França, o novo vazamento do WikiLeaks é eloquente ao mostrar que o governo dos EUA tinha como alvos preferenciais negociadores da política econômica e, principalmente, financeira. Nelson Barbosa, hoje ministro do Planejamento, foi espionado quando era secretário-executivo do ministério da Fazenda. O número fixo assinalado pela NSA é usado ainda hoje pela secretaria.

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Outro espionado foi o ex-chefe de gabinete do Ministério da Fazenda Marcelo Estrela Fiche, exonerado em dezembro de 2013. O embaixador Luís Antonio Balduíno Carneiro, que em 2011 era diretor do Departamento de Assuntos Financeiros do Itamaraty e hoje atua como diretor da Secretaria de Assuntos Internacionais do ministério da Fazenda, e o subsecretário de Relações Internacionais, Fernando Meirelles de Azevedo Pimentel, também constam na lista.

A procuradora-geral da Fazenda, Adriana Queiroz de Carvalho, era outro alvo. Vinculada à Advocacia-Geral da União, a Procuradoria representa a União em disputas judiciais e dá assessoria jurídica ao ministério sobre créditos tributários, entre outros assuntos.

Luiz Awazu Pereira da Silva, que se prepara para assumir a vice-presidência no Banco de Compensações Internacionais, considerado o banco central dos bancos centrais, não escapou. Era diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central. Posteriormente, comandou a Diretoria de Regulação do Sistema Financeiro e a Diretoria de Política Econômica do BC.  Nesse posto, atuou diretamente sobre a política de juros, como os aumentos ou redução da taxa Selic.

Além dele, também foi espionado o atual embaixador brasileiro nos EUA, Luiz Alberto Figueiredo Machado. O interesse em Machado teria relação com as negociações de acordos climáticos. Em 2011, ele era diretor do Departamento de Meio Ambiente e Temas Especiais do Itamaraty. Foi secretário-executivo da Rio+20 e chefiou ao menos três delegações brasileiras nas Conferências da ONU para o Clima. Machado assumiu o Itamaraty após a saída de Antônio Patriota, em 2013, e permaneceu até o fim do primeiro mandato de Dilma Rousseff.

A NSA monitorou ainda o telefone da residência do embaixador Luiz Filipe de Macedo Soares Guimarães em Genebra, o atual embaixador na Argentina, Everton Vieira Vargas, quando era representante na Alemanha, e a embaixada brasileira em Paris, segundo os arquivos. Procurados, nenhum dos “alvos” quis se pronunciar.

As novas revelações do WikiLeaks mostram pela primeira vez os alvos específicos da NSA no Brasil. Em 2013, documentos vazados por Edward Snowden haviam revelado que milhões de e-mails e ligações de brasileiros e estrangeiros em trânsito no país foram monitorados. Snowden também revelou que as comunicações da Petrobras e de Dilma Rousseff eram espionadas.

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Em resposta, a presidente cancelou uma viagem aos EUA que estava agendada e criticou publicamente a espionagem americana na Assembleia-Geral da ONU. Junto com o governo alemão o Brasil propôs ainda à ONU uma proposta que prevê regras para garantir o direito à privacidade na era digital.

Porém, antes da recente viagem aos EUA, Dilma Rousseff já dizia considerar o conflito como “uma coisa do passado”. Agora, depois da visita, considerada bem-sucedida, resta saber como o governo vai lidar com essas novas – e preocupantes – revelações. Afinal, pouco se sabe ainda sobre quais informações sigilosas foram acessadas e como isso foi usado para o benefício econômico e político dos americanos.

O que dizem os documentos

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A base de dados publicada pelo WikiLeaks demonstra como funciona o aparato de espionagem da NSA. Embora o órgão americano intercepte milhões de registros de telefonemas em diversos países, apenas alguns telefones são considerados alvos prioritários, aos quais os analistas devem estar sempre atentos.

Para que a espionagem seja conduzida é necessário que ela siga uma ordem de “Necessidade de Informação” promulgada pelo Departamento de Inteligência Nacional. O código dessa autorização aparece em todas as comunicações, bem como a unidade dentro da NSA que é encarregada de espionar as conversas.

Um documento de “Necessidade de Informação” de 2002, feito sob medida para espionar os franceses, estabelece como áreas de interesse informações sobre relações econômicas bilaterais, política macroeconômica e financeira, orçamento, contratos internacionais e negociações com instituições financeiras internacionais. Documento semelhante foi produzido sobre o Brasil, segundo consta na base de dados, mas seu teor não consta do vazamento do WikiLeaks.

*Colaborou Renan Truffi