Resultado das eleições nos Estados Unidos leva Donald Trump à presidência


Novo presidente foi acusado de estuprar uma menor, durante a campanha mostrou ser contra imigrantes, disse que construiria um muro na fronteira com o México e criou polêmicas cos homossexuais

As eleições presidenciais nos Estados Unidos ocorreram nesta terça-feira, dia 8 de novembro, após uma longa e virulenta campanha eleitoral e a noite acabou com uma vitória do republicano Donald Trump. O magnata sem experiência política, que representa um salto no escuro, ganhou de Hillary Clinton, veterana na política, que ainda não fez um pronunciamento de reconhecimento da vitória de Trump, mas, segundo o presidente eleito, telefonou para parabenizá-lo.

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Quando entrou o número de delegados do estado de Wisconsin na conta da AP, Trump alcançou 276 delegados, ultrapassando o limite de 270 necessários para ser o vencedor no Colégio Eleitoral. A imprensa americana informou minutos depois que Hillary ligou para o rival e admitiu a derrota. “Eu a cumprimentei pela campanha muito disputada”, disse Trump em seguida, em seu discurso da vitória.

Ao falar aos seus simpatizantes, Trump defendeu a união do país após a disputa eleitoral, ao afirmar que será presidente para “todos os americanos”.

“Todos os americanos terão a oportunidade de perceber seu potencial. Os homens e mulheres esquecidos de nosso país não serão mais esquecidos”, discursou. Trump disse ainda que o plano do país deve ser refeito. “Vamos sonhar com coisas para nosso país, coisas bonitas e de sucesso novamente.”

 

Disputa

 

A democrata Hillary, de 69 anos, e o republicano Trump, de 70, protagonizaram uma disputada e agressiva campanha de quase dois anos, marcada por ofensas e ataques pessoais.

Durante a noite, enquanto a apuração avançava, Trump conquistou vitórias surpreendentes sobre Hillary em estados-chave para a definição, abrindo o caminho para a Casa Branca e abalando os mercados globais que contavam com uma vitória da democrata.

A maré começou a virar a favor de Trump após as vitórias na Flórida, Carolina do Norte, Ohio e Iowa. Além disso, contrariando sondagens e projeções, Michigan, Wisconsin e Pensilvânia votaram em um republicano pela primeira vez desde os anos 1980.

Esta foi a capa do New York Times desta quarta-feira.

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O medo tomou conta dos mercados. Com os primeiros sinais da vitória de Trump, o peso mexicano despencou. Há ainda houve uma forte queda das Bolsas asiáticas. Boa parte do mercado futuro dos EUA foram suspensos após cair 5%.

Os democratas contavam com votos dos estados do Centro-Oeste, por causa do tradicional apoio dos negros e dos trabalhadores brancos. Mas muitos dos brancos dessa região, especialmente sem formação universitária, decidiram votar em Trump. A importância dessa classe para os democratas tinha sido subestimada em projeções feitas antes do pleito, segundo o jornal “The New York Times”. Analistas dizem o apoio desses trabalhadores a Obama já tinha sido menor em 2012, principalmente pelo receio de perder o emprego para outros países.

Os trabalhadores rurais de estados centrais e do Norte também escolheram em peso o republicano e fizeram diferença no resultado.

A demora na definição de alguns estados, onde os números de Hillary e Trump ficaram muito próximos, fez com que a primeira projeção sobre sua vitória tenha saído apenas às 5h32, muito mais tarde do que nas eleições anteriores. Em 2012, por exemplo, o resultado já era conhecido antes das 2h30 da quarta.

Entre os estados considerados decisivos para o resultado, Trump conquistou a Flórida, onde Hillary chegou a liderar por uma pequena margem durante grande parte da apuração e onde Obama ganhou em suas duas eleições.

Segundo análise do “New York Times”, o número de votos de eleitores brancos e com maior renda foi suficiente para que ele abrisse uma margem capaz de compensar o eleitorado latino do estado, que em sua grande maioria votou em Hillary.

Já antes de sair a projeção da vitória de Trump, o chefe da campanha de Hillary, John Podesta, disse que ela não falará durante a noite. Ele pediu que os simpatizantes da candidata voltassem para casa.

Com discursos centrados nas frustrações e inseguranças dos americanos num mundo em mutação, Donald Trump tornou-se a voz da mudança para milhões deles.

Trajetória

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Nascido em 14 de junho de 1946 no bairro nova-iorquino do Queens, Trump é o quarto dos cinco filhos de Fred Trump, um construtor de origem alemã, e Mary MacLeod, uma dona de casa de procedência escocesa.

Desde criança ele mostrava um comportamento rebelde, tanto que seu pai teve que tirá-lo da escola aos 13 anos, onde havia agredido um professor, e interná-lo na Academia Militar de Nova York, com a esperança de que a disciplina militar corrigisse a atitude de seu filho.

Trump graduou-se em 1964 na academia, onde alcançou a patente de capitão e vislumbrava seu destino: “Um dia, serei muito famoso”, comentou então ao cadete Jeff Ortenau.

 

Em 1968, o hoje magnata formou-se em Economia na Escola Wharton da Universidade da Pensilvânia, e se transformou no favorito para suceder seu pai no comando da empresa familiar, Elisabeth Trump & Son, dedicada ao aluguel de imóveis de classe média nos bairros nova-iorquinos de Brooklyn, Queens e Staten Island.

Trump assumiu em 1971 as rédeas da companhia, rebatizada como The Trump Organization, e se mudou para a Manhattan. Enquanto seu pai construía casas para a classe média, ele optou pelas torres luxuosas, hotéis, casinos e campos de golfe. Trump gosta de dizer que começou seus próprios negócios modestamente, com “um pequeno empréstimo de US$ 1 milhão” de seu pai.

Já nos anos 1980, tinha em construção diversos empreendimentos na cidade, incluindo a Trump tower, o Trump Plaza, além de cassinos em Atlantic City, em Nova Jersey. Casou-se pela primeira vez em 1977, com a modelo tcheca Ivana Zelníčková, com quem tem três filhos, e pela segunda vez em 1993, com a atriz Marla Maples, com quem tem uma filha.

Em 2011, se casou com sua atual mulher, Melania Knauss, ex-modelo eslovena de 46 anos que cria seu filho Barron, de 10 anos. Ela foi colocada longe dos holofotes durante a campanha. Já seus filhos adultos, Ivanka, Donald Jr., Eric Tiffany participam da corrida eleitoral. Trump tem sete netos.

 

Na começo da década de 90, três dos seus cassinos entraram em falência por causa de dívidas, na tentativa de reestruturá-las. Em 1996, comprou os direitos dos concursos Miss USA, Miss Universo e Miss Teen, tornando-se seu produtor executivo.

Oito anos mais tarde, tornaria-se figura pública ainda mais conhecida ao virar apresentador do programa “The Apprentice”, em que tinha o poder de demitir os participantes.

Apesar de afirmar ter US$ 10 bilhões, sua fortuna foi estimada em US$ 4,5 bilhões pela Forbes. Em 2014, o Partido Republicano sugeriu que concorresse ao governo de Nova York, mas Trump disse que o cargo não lhe interessava.

Trump mora em um triplex no topo da Torre Trump em Nova York, e viaja em seu Boeing 757 privado, que serve regularmente como pano de fundo para seus comícios.

Cabelo tingido de loiro, impecavelmente vestido, ele fascina e horroriza. Quando uma dúzia de mulheres o acusaram de assédio e gestos sexuais impróprios, ele tratou todas de mentirosas.

Trump não é dos mais fiéis a ideologia: foi democrata até 1987 e, em seguida, republicano (1987-1999), membro do partido da Reforma (1999-2001), democrata (2001-2009), e republicano novamente. Durante a sua carreira foi alvo de dezenas de processos civis relacionados aos seus negócios.

Recusou-se a publicar seu imposto de renda – uma tradição para os candidatos à Casa Branca – e reconheceu que não tinha pago impostos federais durante anos, depois de informar enormes perdas de US$ 916 milhões em 1995. “Isto faz de mim uma pessoa inteligente”, disse ele, mais uma vez causando enorme polêmica.

Acusado de estupro e pedofilia

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Um caso que corre nos tribunais dos Estados Unidos alega que o candidato republicano à presidência dos EUA, Donald Trump, estuprou uma jovem de 13 anos durante uma festa em 1994. O suposto crime teria acontecido em um apartamento em Nova York, cujo dono é Jeffrey Epstein — um investidor bilionário condenado por pedofilia.

De acordo com os documentos judiciais, a acusação alega que Trump e Epstein abusaram sexualmente da mulher em quatro festas diferentes — e que, na quarta, Trump a estuprou.

 

10 frases polêmicas do novo presidente:

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1) Los hermanos mexicanos

 

Trump sugeriu que o México deveria pagar por uma muralha que o separe dos EUA e evite a imigração ilegal, um discurso bem sintonizado com a intenção dos republicanos de atrair o eleitorado latino.

 

“Quando o México manda seu povo [aos EUA], mandam pessoas que têm um monte de problemas e trazem estes problemas para nós. Eles trazem as drogas, trazem o crime, são estupradores. E alguns deles, eu confesso, são boas pessoas”.

 

A frase provocou protestos do governo do vizinho do sul. O secretário de Governo mexicano, Miguel Ángel Osorio Chong, disse que as declarações são preconceituosas e absurdas e têm mais a intenção de atrair a imprensa que de mostrar um projeto.

 

2) Mão de ferro contra a China

 

No mesmo discurso, criticou a China, um dos principais mercados dos americanos, por “roubar empregos dos americanos” e defendeu que sejam aplicadas sanções ao país, como uma forma de minar a influência de Pequim nos Estados Unidos.

 

“É tempo de sermos mais duros com os chineses devido à manipulação de sua moeda e à espionagem. A China será taxada por cada mau passo, e se eles continuarem vamos taxá-los ainda mais.”

 

Em resposta, a Chancelaria chinesa disse que os países têm uma relação de troca. “É uma situação em que ambos ganham. A relação comercial realmente deu aos dois lados grandes benefícios.”

3) #ryca

 

Como dito anteriormente, a fortuna de Trump poderia financiar nove campanhas como a feita pelo republicano Mitt Romney em 2012, quando foi derrotado pelo presidente democrata Barack Obama.

 

E o magnata não se fez de rogado: “Estou usando meu próprio dinheiro [na campanha]. Sou realmente rico.”

 

Ele disse ainda que sua fortuna é um exemplo de que ele é capaz de assumir a Casa Branca. O protagonista da série “House of Cards”, Frank Underwood (Kevin Spacey), certamente discordaria.

 

“O dinheiro é uma mansão em Sarasota [cidade de classe alta na Flórida] que começa a cair aos pedaços em dez anos. O poder é uma velha construção de pedra que fica de pé por séculos”, disse Underwood.

 

4) O petróleo é nosso 1

 

Ao comentar sobre a intervenção militar da Otan na Líbia em 2011, durante a revolta que levou à queda do ditador Muammar Gaddafi, Trump disse: “Só estou interessado na Líbia se nós ficarmos com o petróleo. Se não, não tenho interesse”.

 

5) O petróleo é nosso 2

 

Em seminário da União Conservadora Americana (CPAC), em 2013, principal associação ligada ao Partido Republicano, ele disse que o Iraque deveria ceder o petróleo aos Estados Unidos devido à invasão ao país, iniciada em 2003.

 

“Funcionários de alto nível do governo me contaram que, antes da invasão do Iraque, os EUA estavam indo ao país atrás de petróleo. O problema é que o país não conseguiu petróleo algum. Qual é a solução? Devemos capturar a reserva de petróleo deles e recuperar nossos gastos”.

 

6) O fim do Estado Islâmico 1 (ou O petróleo é nosso 3)

 

Em entrevista ao jornalista Bill O’Reilly, do canal conservador Fox News, horas após anunciar sua candidatura, ele disse ter um plano infalível para derrotar a milícia: tirar todo o seu petróleo e, obviamente, entregá-lo aos EUA.

 

“Eu digo que temos que derrotar o EI tirando sua riqueza. Retiremos todo o seu petróleo. Assim que alguém for lá e recolher todo aquele petróleo, eles não terão mais nada. Você os bombardeia até mandá-los ao inferno, cerca-os e então você entra. E deixe que entrem lá a Mobil e nossas grandes empresas de petróleo.”

 

7) O fim do Estado Islâmico 2

 

Para Trump, o ditador Saddam Hussein, deposto pelos Estados Unidos em 2003, daria cabo da milícia radical que domina a Síria e o Iraque há mais de um ano de forma rápida.

 

“Ele os mataria em dois segundos. E, francamente, nós estaríamos bem melhor agora com ele que com a situação que temos agora.”

 

8) Terrorista bom é terrorista morto

 

No dia do atentado ao jornal satírico “Charlie Hebdo”, ele considerou que o número de mortes no ataque foi alto porque não havia ninguém armado na redação do semanário devido às fortes leis de controles de armas na França.

 

“Se as pessoas que foram mortas em Paris tivessem armas, pelo menos eles teriam uma chance de lutar. Não é interessante que a esta tragédia tenha ocorrido em um dos países com uma das leis de armas mais duras do mundo? Lembrem-se: onde ter armas é um delito, só os delinquentes as possuem”.

 

9) Casamento gay = golfe (????)

 

Não, Trump não fez qualquer relação com buracos ou tacos com intenção de duplo sentido (ou será que não?). O magnata quis comparar o matrimônio homossexual com um novo tipo de tacos usados pelos jogadores de golfe mais novos.

 

“É como no golf. Muitas pessoas estão começando a usar estes tacos maiores, que são pouco atrativos. É estranho. Você vê grandes jogadores com esses tacos enormes porque eles não conseguem mais tirar uma bola da terra com um taco comum. E eu odeio isso. Sou um tradicionalista. Tenho vários amigos fabulosos que vieram a ser gays, mas sou um tradicionalista.”

 

10) Obama queniano

 

O empresário foi uma das figuras públicas americanas a aderir ao boato que o presidente Barack Obama seria queniano, como seu pai. A acusação foi feita em entrevista à Fox News em 2011, um ano antes da reeleição do democrata.

 

A insistência no assunto fez com que a Casa Branca revelasse as páginas da certidão de nascimento do mandatário, dando conta de que ele era natural do Havaí. Mas Trump não ficou convencido e achou que o certificado era falso.

 

Com o assunto saindo da discussão entre os americanos, ele tentou outras formas de atingir o mandatário. Em 2012, disse que haveria uma revolução se Obama vencesse na contagem dos distritos eleitorais, mas não na maioria dos votos.

 

No ano passado, questionou a saúde mental do presidente após a permissão de entrada para os pacientes com ebola. “Há alguma coisa muito errada com a saúde mental do presidente. Ele está completamente louco.”

Fonte: EL PAIS, G1 e FOLHA DE SÃO PAULO

 

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